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Depois de um longo período de desenvolvimento e testes, que incluiu provar que podia resistir a um embate contra uma parede sólida de betão, sem que a desaceleração atinja níveis que coloquem em causa a vida de quem vai lá dentro, a nova limusina de Putin está pronta para entrar ao serviço. E a estreia está prevista para 7 de Maio, quando será apresentada ao povo russo, com a devida pompa e circunstância.

Como tradicionalmente acontece nestes veículos, enormes e fortemente blindados, a nova “besta” de Putin – foram os americanos que começaram a denominar The Beast à limusina presidencial, muitos antes de Trump ser eleito para o cargo –, é capaz de resistir a um ataque de um rocket antitanque. Isto não quer dizer que continue a andar depois do ataque, significa apenas que a célula de sobrevivência, dentro da qual Putin vai estar confortavelmente sentado, vai manter a integridade após a explosão. Escusado será dizer que pistolas, espingardas e metralhadoras, mesmo as mais potentes, apenas conseguem riscar a pintura ou fazer uma marca nos vidros.

Conhecido como projecto Cortege (ou Kortezh, em russo, que se pensa ter custado para cima de 100 milhões de euros), o veículo vai ser fabricado na Rússia e em diversas versões, pois a esta limusina vão em breve juntar-se uma berlina mais curta, um SUV e um monovolume, estes dois últimos, muito provavelmente, sobre a mesma plataforma do carro presidencial. Se o objectivo é fabricar 200 unidades em 2018, os russos pensam construir durante o ciclo de vida do produto, nunca menos de 15 anos, entre 4.000 e 5.000 unidades de cada versão de carroçaria.

O carro é produzido na Rússia, mas o que verdadeiramente é complexo, da mecânica à electrónica, veio da Alemanha. Assim, a Porsche e a Bosch dividiram entre si o fornecimento de uma série de partes fundamentais para fazer andar a limusina (monta um motor 4.6 V8 sobrealimentado, com cerca de 600 cv) e garantir que o presidente está sempre contactável e tem sempre à sua disposição ar puro, mesmo durante um ataque químico.

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