A requalificação do Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz, em Lisboa, é um dos 29 projetos distinguidos este ano pelo júri dos prémios Europa Nostra 2018. Para o galardão, atribuído pela Comissão Europeia e pela principal organização da Europa dedicada ao património (à sua conservação, à investigação que se faz sobre ele e à formação e sensibilização para a sua importância), foram este ano submetidas 160 candidaturas, de organizações e de particulares provenientes de mais de 30 países europeus.

O projeto de requalificação deste jardim botânico lisboeta venceu na categoria “Conservação” e disputa agora, com os restantes 28 projetos, a vitória num dos sete grandes prémios atribuídos pelo júri (cujo valor monetário é de dez mil euros). O anúncio dos sete vencedores finais acontecerá a 22 de junho, durante a primeira Cimeira Europeia do Património Cultural, que vai decorrer em Berlim, em Alemanha. Além dos Grandes Prémios, será ainda atribuído um Prémio de Escolha do Público. O vencedor deste último prémio será apurado com uma votação online.

O Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz foi construído no final do século XVIII e ficou profundamente danificado após uma cheia, em 1984. Em 2012, iniciou-se um projeto de investigação que tinha como objetivo último a reconstrução. Esta materializou-se com o apoio de uma organização inglesa, a Botanic Gardens Conservation International, e de vários parceiros europeus. O restauro, contudo, foi “inteiramente autofinanciado” pela empresa pública Parques de Sintra, “com recurso a fundos obtidos exclusivamente” a partir da “receita gerada pelo acolhimento de visitantes e pelas vendas de bilheteira”, refere o Centro Nacional de Cultura, que representa a Europa Nostra em Portugal.

Este projeto foi bem sucedido na redescoberta e recuperação de um jardim que se pensava perdido. Para isso recorreu-se a investigação arqueológica, à análise dos fragmentos restantes do jardim e da documentação existente”, apontou o júri, destacando também a envolvência da “comunidade local” no restauro.

O presidente da organização Europa Nostra é o famoso cantor de ópera Plácido Domingo, que, em comunicado à imprensa, felicita “calorosamente” os 29 “campeões do património”.

Eles são “dignos de todos elogios” e são “a prova viva de que o património cultural é muito mais do que a memória do passado — constitui uma chave para a compreensão do nosso presente e um recurso para o nosso futuro”, disse o cantor espanhol.

Entre os restantes projetos vencedores estão, por exemplo, “a reabilitação de uma igreja bizantina na Grécia, o desenvolvimento de um novo método de conservação das casas históricas da Europa — resultado de uma parceria entre cinco instituições sediadas em França, na Itália e na Polónia –, a dedicação de uma rede internacional de ONG empenhadas, há mais de 30 anos, na proteção de Veneza, e o estabelecimento de um programa público de caráter educativo que proporciona a crianças e jovens na Finlândia a possibilidade de beneficiarem da sua herança cultural”, acrescenta a organização, no mesmo comunicado.