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Pescadores da Afurada em Gaia relatam roubos e pedem ajuda às autoridades

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Os pescadores da Afurada queixam-se do roubo de materiais, fechaduras dos aprestos, redes e máquinas e apelaram às forças políticas locais, bem como às autoridades, para que reforcem a vigilância.

RUI FARINHA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Vários pescadores da Afurada, concelho de Vila Nova de Gaia, relataram esta terça-feira casos de roubos e de insegurança, apelando às forças políticas locais, bem como às autoridades, para que reforcem a vigilância. “Isto não tem segurança nenhuma”, disse à agência Lusa Hernâni Pereira, pescador há 56 anos, apontando para as fechaduras dos aprestos, espécie de prefabricados que servem de arrumo, e acrescentando que numa noite lhe roubaram 100 quilos de chumbo e um berbequim.

Relato semelhante foi dado por Joaquim Ferreira, pescador desde os 14 anos, que disse ter sido “por duas vezes assaltado em muito pouco tempo”, tendo-lhe sido furtadas redes e máquinas. “Já fui à Junta, já fui à polícia. Dizem que vão investigar”, relatou à Lusa enquanto visitava o cais da Afurada a convite da CDU local que esta terça-feira realizou uma ação de contacto com os pescadores da zona.

“Falta vedação na área e neste momento os barcos têm de abastecer em Matosinhos, a sete milhas de distância. O estacionamento está desregulado, há excesso de turismo, faltam transportes públicos, há um número grande de situações, mas o problema maior é a falta de segurança das infraestruturas de apoio [à pesca]. O roubo de uma máquina, por mais pequena que pareça, para estas pessoas pode custar muito caro no orçamento familiar”, disse José Carlos Costa, eleito pela CDU na Afurada e membro do PCP de Gaia, distrito do Porto.

Ao longo do périplo, alguns pescadores foram mostrando situações e lamentando roubos, admitindo, no entanto, que “às vezes não denunciam os casos por saberem que é malta da terra” ou por acharem que “nem vale a pena porque não vai adiante”. António Paulo, pescador há 22 anos, descreveu “assaltos a armazéns e a barcos”, apontando saber que colegas já foram lesados “em mais de 1.500 euros numa noite”.

“Faz falta tudo, mas principalmente faz falta segurança”, disse o pescador, associando-se nos apelos às várias entidades que têm influência direta na zona, desde a Câmara de Vila Nova de Gaia, Junta de Freguesia da Afurada e Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). A agência Lusa contactou a junta local, cujo presidente Paulo Lopes admitiu ter “conhecimento, ainda que de forma informal, destas situações”, as quais disse ter comunicado quer à PSP, quer à Polícia Marítima.

“Temos sugerido e aconselhado os lesados a apresentarem queixa. Os próprios comandantes [das polícias PSP e Marítima] acham os casos estranhos e pedem que seja denunciado. A Junta está atenta e preocupada”, disse. Segundo o autarca, a PSP local e a Polícia Marítima estão a fazer rondas aleatórias, respondendo a um “apelo da Junta para aumentarem a segurança” e está a ser estudada a possibilidade de ser colocado um segurança a fazer vigilância permanente, algo que pode acarretar custos na ordem dos sete a oito mil euros por ano.

Em curso também está uma candidatura a fundos comunitários, a Mar 2020, apresentada em março pela Junta de Freguesia em consonância com a câmara, indicou Paulo Lopes, que visa criar um posto de pesagem e de controlo de pescado e a instalação de mais 20 aprestos (arrumos). “Temos fundadas expectativas de que seja aprovada”, disse o autarca local sobre um projeto que ronda os 150 mil euros e que, acrescentou, “ao ser implementado poderá tranquilizar muito os pescadores da Afurada”.

A Lusa também solicitou esclarecimentos à APDL, mas até ao momento não foi possível obter uma resposta. Estima-se que o cais da Afurada tenha cerca de 150 barcos de pesca, subindo o número para mais de duas centenas se forem somados os barcos de pesca desportiva.

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