O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou de forma crítica sobre o movimento #MeToo na sua conferência de imprensa anual, depois de um jornalista o ter confrontado com alegações de abusos sexuais atribuídas ao presidente da comissão de assuntos externos do parlamento russo e seu apoiante, Leonid Slutsky.

“Certas pessoas e certas organizações que se especializam em proteger os direitos das mulheres estão neste momento a desenvolver todo um processo em vários países ocidentais e em Hollywood para levantar questões que aconteceram há 10, 20, 30 anos”, disse, em resposta a um jornalista da revista RBC, um entre as centenas que anualmente participam nesta conferência de imprensa.

“Temos de apoiar os interesses de todos os cidadãos, independentemente do género, religião, idade, mas ainda assim é preciso perguntar: porque é que só se está a fazer isto agora? Porque não há 10 anos, quando alguns destes incidentes supostamente aconteceram?”, questionou o Presidente russo. “Não acredito que devamos tornar estas questões, especialmente quando falamos de casos concretos, numa espécie de campanha.”

Em março, quatro jornalistas russas acusaram Leonid Slutsky de assédio sexual. Destas, duas prestaram depoimentos à comissão de ética da Duma (nome oficial do parlamento russo), que decidiu pela absolvição de Leonid Slutksy. Apesar de negar as acusações, no dia da mulher, 8 de maio, o político aliado de Vladimir Putin escreveu no Facebook um pedido de desculpas genérico. “Aproveito esta oportunidade para pedir perdão a todas as mulheres a quem tenha causado más experiências, voluntária ou involuntariamente. Acreditem que não tinha más intenções”, escreveu.