Angelina Jolie, embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), visitou Mossul, a cidade iraquiana que esteve sob domínio do Estado Islâmico, durante o dia de sábado. A atriz apelou à comunidade internacional para que não esqueça os iraquianos, que continuam a construir as suas casas num local onde ainda se sente o “cheiro dos corpos”.

“Espero que haja um compromisso contínuo para reconstruir e estabilizar toda a cidade de Mossul. E faço um apelo à comunidade internacional para que não esqueça Mossul e não desvie a sua atenção da sua população”, disse durante um discurso que fez junto às ruínas da mesquita de Al Nuri, que foi destruída pelo grupo Estado Islâmico.

A atriz esteve entre as ruínas dos edifícios com diversas famílias deslocadas no sentido de discutir formas para reconstruir a cidade, quase um ano depois de ter sido libertada do domínio do Estado Islâmico.

Esta é a pior devastação que já vi em todos os meus anos de trabalho com o ACNUR. Aqui, as pessoas perderam tudo: as suas casas foram destruídas (…), não têm medicamentos para os seus filhos e muitos não têm água nem os serviços de saneamento básicos. Para além disso, estão rodeadas de corpos entre os escombros”, prosseguiu Jolie, acrescentando que ainda se sente “o cheiro dos corpos”.

A população continua a ter dificuldades em reconstruir aquilo que perdeu porque, para além de ser uma zona densamente povoada, há ainda muitos corpos — tanto de moradores como de jihadistas, que morreram durante os bombardeamentos — entre os escombros.

Muitas vezes temos a tendência de assumir, como comunidade internacional, que, quando a luta termina, o trabalho está feito. Mas as condições que observei aqui em Mossul ocidental são terríveis”, acrescentou a embaixadora.

Angelina Jolie disse ainda que “os acampamentos perto da cidade ainda estão cheios” e que é essencial permitir “que as pessoas retornem à cidade” para garantir uma “futura estabilidade do Iraque” e daquela região em específico. A embaixadora terminou dizendo que os iraquianos são lutadores e que estão “a limpar as casas com as suas próprias mãos”, mas que precisam da ajuda da comunidade internacional.