Rádio Observador

Toyota

Rolls-Royce japonês. Metade do preço e… da beleza

O imperador do Japão, bem como alguns dos mais altos representantes do governo, da indústria e da máfia, fazem-se transportar naquilo que consideram o Rolls ou o Bentley japonês. Mas estará à altura?

O Toyota Century é um veículo imponente e representa o que de melhor o maior fabricante japonês é capaz de fazer. Isto é capaz de tranquilizar qualquer um em relação à qualidade e ao rigor de construção, mas quando se quer apontar armas à Rolls e à Bentley, é necessário reforçar a oferta com requinte, estilo, nobreza mecânica e aquele sem-número de pormenores que delicia os que apenas se satisfazem com o que de melhor a indústria automóvel tem para oferecer. E é aqui que reside a questão: será que o Century está à altura de tão rebuscada concorrência?

Ao ser escolhido pelo imperador, especialmente num país tão marcado pela tradição e o respeito pela história como o Japão, o Toyota Century é visto como um objecto que reflecte o poder e o status de quem o utiliza. Mesmo que seja um chefe da Yakusa, aquela também muito respeitável – temida talvez seja o termo mais correcto – organização nipónica também conhecida como máfia japonesa.

Depois de estar ao serviço da alta sociedade oriental durante mais de duas décadas (21 anos, para sermos precisos), o Century foi agora completamente redesenhado, surgindo na terceira geração, desde que foi apresentado pela primeira vez há 50 anos. Proposto no Japão por cerca de 150 mil euros, uma pechincha face ao Bentley Mulsanne e ao Rolls-Royce Phantom, o Century versão 2018 é um veículo com 5,3 metros de comprimento e uma distância entre eixos de 3,1 metros, ou seja, é mais pequeno do que o Mulsanne e ainda mais do que o Phantom. Mas a maior diferença entre o veículo de luxo japonês e os seus adversários europeus não necessita de fita métrica, pois basta olhar para eles. O design do Century continua a ser demasiado clássico e cinzentão.

Obviamente, ao serviço do Toyota estão as últimas mordomias em termos de electrónica, para deleitar quem se senta atrás, e sistemas de ajuda à condução, para quem ocupa o banco da frente. Em termos de motorização, a marca japonesa recorre a um motor híbrido, como não podia deixar de ser. Trata-se de um 5.0 V8 a gasolina, que debita 381 cv, no que é ajudado por um motor eléctrico de 224 cv, alimentado por uma bateria com uma tecnologia tão antiga quando o seu design, de níquel-metal hidreto.

No acumulado, o Century disponibiliza 431 cv e a possibilidade de se deslocar em modo eléctrico durante alguns quilómetros. Não muitos, mas apenas os suficientes para o imperador chegar ao palácio no maior silêncio, ou para o chefe da Yakusa recorrer ao mesmo artifício para surpreender, de forma definitiva, um dos seus rivais. E, a avaliar pelo vídeo divulgado pela Toyota, o novo Century deve brilhar até de noite, face à atenção extrema que os operários dedicam ao polimento da pintura.

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