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GovTech. Há 113 startups portuguesas a querer resolver os problemas da humanidade

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A partir de segunda-feira, há 113 projetos a concurso no site da GovTech. A votação faz-se com moedas virtuais, porque o concurso tem por base uma plataforma de blockchain. É o primeiro do género.

Graça Fonseca diz que "o blockchain está a entrar, e bem, com alguma parcimónia no setor público"

LUSA

O concurso através do qual o Governo quer ajudar a resolver os principais problemas das humanidade reuniu 140 candidaturas, mas 27 foram chumbadas por não terem ainda um protótipo funcional. Das 113 aprovadas, sete são estrangeiras: do Brasil e de França. Graça Fonseca, secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, disse ao Observador que “o balanço é bastante positivo”. As votações para apurar os seis finalistas arrancam esta segunda-feira.

O GovTech destinou-se às startups que tivessem um produto que se enquadrasse nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, definidos pelas Nações Unidas, para 2030.

Quando lançámos esta iniciativa, como era muito focada na agenda 2030, a nossa perceção era de que teríamos mesmo de fazer a volta pelas incubadoras para falar com os empreendedores, para obrigá-los a pensarem no seu próprio negócio e a olharem para a empresa e perceberem se estava alinhada com estes objetivos”, conta.

Quando a equipa da secretária de Estado começou a fazer a volta pelas incubadoras, foram vários os empreendedores que disseram que o seu projeto era tecnológico e que não se adequava às características do concurso público. “Mas à medida que íamos falando com eles, eles iam descobrindo que o seu negócio estava bastante alinhado com os objetivos das Nações Unidas. Tivemos 140 candidaturas e acredito que a esmagadora maioria só se candidatou porque fizemos esta volta e perceberam o objetivo”, explica Graça Fonseca.

Terminada a fase de candidaturas, é hora de votação. Até 15 de setembro, quem se registar no site da iniciativa com uma chave móvel digital (método de autenticação virtual para aceder a sites de entidades públicas), pode contribuir para a seleção dos seis finalistas. Graças à tecnologia blockchain que está associada a este concurso, os utilizadores votam como se de uma plataforma de crowdfunging [financiamento coletivo] se tratasse. Quando o utilizador faz o registo, ganha “GovTech”, moedas virtuais para voto, com as quais pode “investir” nos projetos que mais gostar.

Aos votos com os “GovtTech” juntam-se os votos dos jurados da iniciativa — que inclui nomes como Catarina Furtado (embaixadora das Nações Unidas e apresentadora), Ricardo Lima (Head of Startups da Web Summit), Vânia Gonçalves (investigadora) e João Borga (Startup Portugal). Depois de apurados os seis finalistas, há um evento final no qual são escolhidos os três vencedores. Cada projeto vencedor recebe 30 mil euros que “têm de ser aplicados no projeto”, tem acesso, durante um ano, a uma incubadora nacional “à escolha”, consultadoria para se expandirem internacionalmente e bilhetes Alpha para a Web Summit.

Há projetos que se candidataram não pelo investimento, mas porque lhes interessava de facto estarem alinhados com o objetivo da saúde ou das alterações climáticas. Isto abre-lhes um mercado global muito superior ao que pensaram posicionar-se. Hoje, muitos países orientam-se já muito para investir em muitos projetos alinhados com esta agenda”, disse Graça Fonseca ao Observador.

De entre os objetivos que tiveram mais resposta por parte dos empreendedores, a secretária de Estado destaca a saúde e os consumos saudáveis e sustentáveis e os projetos que se direcionam à floresta e aos incêndios. “A forma como leio isto é que, na verdade, já existem em Portugal muitos projetos que estão alinhados com esta agenda e que estão a trabalhar nela, mas que nunca tinham pensado em si próprios como negócios alinhados com a agenda das nações Unidas e que estão tanto no mercado português como no internacional”, explica.

“O blockchain está a entrar, e bem, com alguma parcimónia no setor público”

Sobre a reação ao facto de o Governo ter recorrido a uma plataforma de blockchain para a votação, Graça Fonseca diz que tem sido “positiva”. “Não temos grandes receios. As pessoas que têm vindo a criar conta, estão a seguir o modelo de incentivos para terem mais GovTechs para investir. As pessoas estão entusiasmadas, mas acho que só conseguiremos fazer o balanço final em setembro”, disse.

Como funciona, então, a votação? No site do GovTech, cada projeto tem a sua página de apresentação, com o vídeo de apresentação do protótipo pronto. “Nesta fase, muitas das pessoas que querem participar já criaram contas GovTech, agora têm de ver as páginas dos projetos e, depois, se quiserem participar de uma forma mais estrutural, convidam mais amigos para a plataforma, para terem mais capacidade de intervenção”, explica Graça Fonseca.

A plataforma funciona através de um modelo de incentivos. Quem se registar no site, com a chave móvel digital, tem mais incentivos financeiros e quem referenciar amigos ganha mais incentivos. O painel de jurados tem “uma carteira GovTech mais recheada do que a da comunidade”, explica a governante.

Sobre o futuro, a secretária de Estado diz que, para já, a ideia é aguardar para ver como é que a iniciativa corre. “Não temos mais nenhum projeto para fazermos com blockchain, mas queremos ver como é que isto corre. O blockchain está a entrar, e bem, com alguma parcimónia no setor público. Alguns destes projetos candidatos já estão a utilizar tecnologia blockchain, vamos testar, vamos ver como funciona, se as pessoas participam, se não colocam problemas no acesso à participação e depois avaliaremos”, disse.

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