David Dinis, ex-diretor do Observador e diretor do Público, demitiu-se do cargo incompatibilizado com a administração, confirmou o próprio ao Observador sem adiantar mais pormenores. A demissão de David Dinis surge na sequência da decisão da administração do jornal de demitir o diretor-adjunto do Público, Diogo Queiroz de Andrade, sem a aprovação do diretor.

Na tarde desta segunda-feira houve um plenário nas instalações do jornal em Lisboa, convocado pelo próprio David Dinis. Diogo Queiroz de Andrade e os restante diretores, que almoçaram juntos, estiveram presentes, bem como a administração do jornal.

Segundo fonte interna do Público, a demissão do diretor-adjunto do jornal, decidia à revelia de David Dinis, terá sido justificada aos trabalhadores com “problemas relacionais” e “incumprimento de metas relativas ao online“. A administração imputa a Diogo Queiroz de Andrade responsabilidades no incumprimento de objetivos do jornal no segmento digital e perda de confiança no seu trabalho.  Num comunicado divulgado esta segunda-feira à tarde o conselho de administração do jornal diário explica que decidiu prescindir dos serviços de Diogo Queiroz de Andrade “após um processo de reflexão ao longo das últimas semanas”.

“Na sequência da comunicação efectuada e anteriormente discutida o director, David Dinis, apresentou a sua demissão”, refere a mesma nota, na qual os administradores agradecem ao jornalista “toda a dedicação e profissionalismo com que abraçou o desafio de liderar um meio de referência na comunicação social nacional”, desejando-lhe os “melhores sucessos pessoais e profissionais”. A Diogo Queiroz de Andrade o Conselho de Administração deseja votos de “sucesso na sua vida “pessoal e profissional”.

Por solidariedade, e por entender que as responsabilidades no incumprimento de resultados não podem ser imputadas a uma só pessoa (apurou o Observador), David Dinis demitiu-se. A restante direção também apresentou a demissão. Não foi anunciada qualquer solução alternativa para o futuro próximo do Público. Os trabalhadores do jornal mostraram-se revoltados com a interferência da administração no rumo do jornal.

Diogo Queiroz de Andrade chegou esta segunda-feira de férias e foi chamado à administração, que o informou que estava demitido. David Dinis tinha entrado esta manhã precisamente de férias e soube da decisão já nessa altura.

Nas últimas quinta e sexta-feira não houve a tradicional newsletter do Público, normalmente enviada de manhã e assinada por David Dinis, porque este estava doente. Esta segunda-feira a newsletter foi assinada por Diogo Queiroz de Andrade, que anunciou que “nas próximas duas semanas” seria ele a assinar aquele resumo das notícias do dia no lugar de David Dinis.

O Observador sabe que há três semanas, na reunião anual entre David Dinis, a administradora Cristina Soares e a administradora executiva da Sonaecom (proprietária do Público) Cláudia Azevedo, o agora ex-diretor do jornal foi surpreendido com a informação de que Diogo Queiroz de Andrade ia ser despedido. Manifestando o seu desacordo absoluto com tal decisão, pelo facto de o assunto não ter sido previamente discutido consigo, e de não a aceitar, David Dinis voltou do Porto a Lisboa achando que a questão tinha sido ultrapassada.

Mas as críticas ao diretor-adjunto já vinham de trás na administração e esta manteve a intenção de despedimento. Efetivou-a no dia em que Diogo Queiroz de Andrade voltou de férias e David Dinis partiu para duas semanas de descanso. A decisão foi tomada por decisão exclusiva da administração, sem ouvir o diretor. Que se demitiu em solidariedade com o seu adjunto.

O Observador tentou contactar Diogo Queiroz de Andrade, que não respondeu aos telefonemas nem às mensagens.

David Dinis foi diretor do Observador entre 2014 e 2016 e Diogo Queiroz de Andrade era o diretor criativo. Depois de David Dinis sair para a TSF, onde esteve menos de um ano, Queiroz de Andrade também saiu até ambos assumirem a direção do Público.