Alguns membros do Conselho do BCE estão desconfortáveis com o facto de os mercados estarem a assumir que a taxa de juro só irá subir em dezembro de 2019. Poderá ser antes disso, dizem à Bloomberg estes responsáveis, que não revelam a sua identidade porque estas são discussões que decorrem com confidencialidade.

Se olharmos para os indicadores de mercado, é prevalente a perspetiva de que irá haver uma subida de 10 pontos-base na taxa de juro diretora em dezembro de 2019 — será a primeira subida da taxa de juro desde 2010 (a taxa de juro manteve-se em zero durante quase toda a crise financeira europeia, sobretudo depois de Mario Draghi assumir as rédeas da autoridade monetária). Mas os mercados poderão estar a ser complacentes, porque há vários membros do Conselho que estão a apontar para uma subida dos juros um pouco mais cedo: por exemplo, em outubro de 2019.

BCE já tem data para desligar a impressora. Em dezembro, estímulos monetários terminam

A diferença de três meses pode não parecer muito relevante mas, além do efeito simbólico, o momento da primeira subida dos juros pode ter implicações para as decisões que venham a ser tomadas a respeito de outras ferramentas da política monetária, como as compras diretas de dívida pública pelo BCE aos emitentes soberanos da zona euro. A notícia publicada esta quarta-feira pela Bloomberg, que não especifica fontes, pode ser uma tentativa de orientar as expectativas do mercado para não se fixar numa data e de o BCE evitar deixar-se “encurralar” nas decisões que toma, ao nível da comunicação com os mercados.

Depois de agradar falcões, Draghi tenta acalmar as pombas

Um ponto interessante a este respeito é que a reunião de outubro de 2019 será a última de Mario Draghi, o italiano que subiu ao topo do BCE em outubro de 2011 e logo nas primeiras reuniões do Conselho do BCE que liderou avançou com descidas da taxa de juro, invertendo a política que vinha sendo seguida pelo seu antecessor, o francês Jean-Claude Trichet. A confirmar-se a subida dos juros em outubro, isso seria, de certo modo, uma forma de Draghi se despedir passando uma mensagem de “missão cumprida” após ter tomado medidas inéditas na história da zona euro, como o programa de compra de ativos.