O antigo Presidente cabo-verdiano Pedro Pires defendeu esta terça-feira a presença da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), apelando aos Estados lusófonos para que sejam “pacientes” e abandonem “atitudes contra” o mais recente membro da organização.

“Eu entendo que é melhor estar na CPLP do que fora. A CPLP não pode pretender ser mais do que a União Africana ou as Nações Unidas. Temos de ser iguais aos outros”, afirmou à Lusa o antigo primeiro-ministro e Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, em Santa Maria, ilha do Sal, onde esta terça-feira começou a XII conferência de chefes de Estado e de Governo da organização lusófona.

Pedro Pires recordou que foi um dos defensores da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, que ocorreu em 2014, mas que motivou polémica.

O antigo chefe de Estado cabo-verdiano apelou para que “não haja uma atitude contra” a Guiné Equatorial e que os países sejam “pacientes e insistam no bom sentido”. Pedro Pires recordou que a Guiné Equatorial é o único país africano de língua espanhola e os lusófonos são “os mais próximos”, até porque aquele país foi inicialmente colonizado por portugueses, antes de passar a colónia espanhola. “Não vejo razão para não reatar relações antigas e trabalhar no bom sentido”, sustentou.

A adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP ocorreu mediante o compromisso da promoção da língua portuguesa e da abolição da pena de morte, o que, quatro anos depois, ainda não aconteceu, apesar de as autoridades de Malabo afirmarem que está em vigor uma moratória sobre a pena máxima. O chefe da diplomacia de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, considerou recentemente que é “absolutamente inaceitável” ter um país com pena de morte na CPLP, o que classificou como “o problema mais importante e mais grave”.

Sobre a CPLP, que esta terça-feira celebra 22 anos, Pedro Pires defendeu que “é fundamental lutar pelo seu aperfeiçoamento e para a sua consolidação”. Nesta cimeira, “há algo interessante”, a proposta relativa à promoção da mobilidade. “Creio que já há mais abertura. Não há comunidade se não houver mobilidade, comunicação, relações humanas, que se fazem através da mobilidade”, considerou.

Pedro Pires considerou que se esta proposta avançar durante a presidência cabo-verdiana da CPLP, nos próximos dois anos, “é um ganho importante” para Cabo Verde, que “é um país de gente que emigra muito e precisa de ter boas relações com o resto”.

Durante a XII conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, com o lema “Cultura, Pessoas e Oceanos”, Cabo Verde vai assumir o exercício da presidência desta organização, durante o período de dois anos.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os Estados-membros da CPLP.