O BPI anunciou esta terça-feira que os lucros aumentaram para 366 milhões no primeiro semestre, 222,5 milhões dos quais em Portugal. São resultados “excecionais“, afirma o espanhol Pablo Forero, que lidera o banco desde a OPA lançada pelo Caixabank. Excluindo efeitos excecionais, banco lucra mais de 100 milhões em Portugal, uma subida de 32% em relação ao período homólogo. O banco conseguiu aumentar o crédito às empresas (em Portugal) em 8,3% e o stock de empréstimos à habitação cresceu pela primeira vez desde 2010.

Para o lucro de 222,5 milhões na atividade doméstica contribuíram os efeitos da venda da participação na Viacer por 59,6 milhões de euros (que já tinha sido reportada no primeiro trimestre) e também da venda do BPI Gestão de Ativos e BPI GIF (por 61,8 milhões de euros). Excluindo esses efeitos não-recorrentes, o lucro do BPI na atividade portuguesa foi de 104,2 milhões de euros, mais 32% do que no mesmo período de 2017.

O banco destaca que a carteira de crédito às empresas em Portugal aumentou 8,3%, o que corresponde a mais 593 milhões de euros em crédito concedido. No crédito a particulares, entre habitação e consumo o crédito aumentou 1,9% – 1,1% no crédito hipotecário e 9,4% no crédito ao consumo.

É a primeira vez desde 2010 que o stock de crédito hipotecário aumentou, revelou Pablo Forero — ou seja, o crescimento das novas operações já está a ser suficiente para compensar a descida do crédito por via dos reembolsos que vão sendo feito pelos clientes, amortizando os créditos. “O país está num ciclo económico totalmente diferente e a confiança dos consumidores está a voltar, é a minha opinião“, afirmou Pablo Forero.

O presidente-executivo do BPI garante que o crescimento do crédito não está a ser conseguido à custa de uma concorrência excessiva nas margens cobradas. “Acredito que as guerras de spreads não são boas para ninguém, a prazo“, comentou Pablo Forero, garantindo que a estratégia do BPI passa por uma defesa das suas margens de intermediação, de forma cautelosa. o mesmo tempo, o banco conseguiu cobrar mais 9,4% em comissões, para 134,6 milhões.

Por outro lado, os depósitos de clientes cresceram 1.445 milhões de euros, uma subida de 7,5%, segundo comunicado que o banco difundiu através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A margem financeira do grupo BPI aumentou 7,6%, para 207,2 milhões.

Também a ajudar para os lucros na atividade em Portugal é que o banco só gastou 5,5 milhões de euros com reformas antecipadas e rescisões voluntárias, algo que no primeiro semestre de 2017 tinha custado mais de 76 milhões. Esses são impactos que o banco considera não recorrentes, pelo que na atividade recorrente os valores a reter são um aumento dos lucros nacionais de 79 milhões para 104,2 milhões.

Além da atividade doméstica, o BPI contou, também, com uma contribuição de 136,3 milhões de euros vinda da participação no angolano BFA e 7,1 milhões vindo do moçambicano BCI.

“Guerras de spreads não são boas para ninguém, a prazo”

Na conferência de imprensa em Lisboa, num edifício na baixa lisboeta que o Fundo de Pensões do banco decidiu vender — “aproveitando uma boa oportunidade no mercado, atraindo vários investidores” –, o presidente-executivo do BPI, Pablo Forero, defendeu que as recomendações que o Banco de Portugal para assegurar contenção na concessão de crédito “são muito bem-vindas“.

Regras que restringem concessão de crédito entram em vigor no domingo

As medidas “são muito prudentes e ajudam os bancos mais sérios, aqueles que têm o compromisso mais a longo prazo com os seus clientes”. Isto porque, afirma Pablo Forero, havia bancos da “concorrência que estavam a fazer práticas mais agressivas e agora vão ter de jogar com umas regras muito mais parecidas com as nossas — havia “outros que estavam a tentar ganhar clientes concedendo-lhes crédito que depois teriam dificuldades em pagar”, defende o responsável, defendendo que “isto vai contribuir para que o mercado imobiliário cresça de forma mais saudável”.

Para o BPI, para o cumprimento das regras houve apenas “pequenos ajustamentos” que fizeram com que o banco ficasse em conformidade. O BPI, aliás, limita o crédito hipotecário a 85% da avaliação, quando as regras apontam para um máximo de 90%. Quanto aos spreads, o BPI garante que vai manter uma postura cautelosa num mercado que Pablo Forero considera “muito competitivo”, mais do que noutros países europeus. “Guerras de spreads não são boas para ninguém, a prazo“, defendeu.

O BPI teve, também, uma subida de 9,4% no crédito ao consumo, para 1.308 milhões. Uma subida que se deve, acrescenta Pablo Forero, ao crédito pré-aprovado — ou seja, crédito a clientes que já são do banco e que o BPI conhece, sublinha o responsável. “Não vendemos créditos em centros comerciais”, comentou o espanhol.