Nos últimos anos e como incentivo à venda de veículos eléctricos, o Governo prevê no Orçamento de Estado uma verba de 2.250.000 euros, o que permite atribuir 2.250 euros a cada uma das primeiras 1.000 candidaturas que sejam aprovadas. Isto porque há que respeitar uma série de requisitos, a começar por ter de ser efectuada uma candidatura por cada veículo, até um máximo de um veículo por pessoa singular e de cinco por pessoa coletiva (empresas).

O volume de vendas de veículos eléctricos em Portugal tem vindo a subir todos os anos, mas os números ainda continuam baixos, em termos absolutos, pois num mercado que consome mais de 200.000 automóveis por ano, em 2016 apenas 756 dos veículos novos transaccionados eram 100% eléctricos, valor que em 2017 subiu para 1.640, o que aponta para uma penetração próxima de 0,38% e 0,82%, respectivamente.

Mas se as vendas aumentaram 116% em 2017, face ao ano anterior, em 2018 o salto promete ser ainda maior, uma vez que foram adquiridos 1.868 veículos eléctricos alimentados por bateria só nos primeiros seis meses do ano, um valor que supera largamente o volume transaccionado nos 12 meses de 2017. É um aumento de 156% que, mesmo que venha a desacelerar na segunda metade do ano, deverá permitir rondar as 3.500 unidades, mais um crescimento notável para este tipo de propulsão amiga do ambiente.

Incentivos acabam? Talvez não!

Como muitas vezes acontece, por vezes os produtos são vítimas da sua popularidade. E esta realidade aplica-se na perfeição aos automóveis eléctricos. Com o Governo a prever no Orçamento apenas 2,25 milhões de euros para incentivar a aquisição deste tipo de veículos – antes de começar a barafustar em relação a esta verba, que vai considerar exagerada caso seja contra os carros eléctricos, pense só no petróleo que deixa de ser importado –, significa que as ajudas à aquisição cobrem apenas os 1.000 primeiros candidatos. Fasquia que já foi ultrapassada este ano, pois basta aceder ao site do Fundo Ambiental para verificar que das 1.103 candidaturas recebidas, 57 foram excluídas, o que significa que há 46 compradores em lista de espera para aceder aos 2.250 euros.

Estado pagou 29.000€ de energia aos eléctricos. Privados pagaram mais

O presidente da UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Eléctricos, Henrique Sánchez, revelou ao Observador que, afinal, os incentivos podem não ter acabado. Segundo ele, em conversações com o secretário de Estado adjunto e do Ambiente, José Gomes Mendes, este ter-lhe-á garantido que o Governo está a tentar encontrar uma solução para incrementar o número de veículos abrangidos pelos incentivos. Não incrementando os 2,25 milhões de euros previstos, mas sim aproveitando os 400.000 euros previstos para as primeiras 1.000 solicitações relativas a veículos de duas rodas de accionamento 100% eléctrico.

Como cada motociclo a electricidade recebe ajudas de 400€, ou até 20% do valor da aquisição, tendo sido apenas recebidas 19 candidaturas nos primeiros seis meses de 2018, duas das quais foram descartadas, há uma parte importante dos 400.000€ que pode ser alocada à aquisição de veículos de quatro rodas, cuja procura é muito superior. Esta abertura do Governo poderá permitir a inclusão no sistema de incentivos de mais um número de clientes de automóveis eléctricos, que pode variar entre 150 e 170 unidades.

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