Rádio Observador

Osama bin Laden

Entrevista à mãe de Bin Laden: “Ele nunca admitiu o que fazia porque me amava muito”

Pela primeira vez, Alia Ghanem, a mãe de Osama Bin Laden, de uma entrevista. Ao jornal britânico The Guardian admite que nunca imaginou a possibilidade de o filho mais novo se tornar jihadista.

AFP/Getty Images

Alia Ghanem nunca tinha falado com a imprensa sobre o seu filho mais velho Osama bin Laden, antigo líder da Al-Qaeda, mentor do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 e homem mais procurado do Mundo até ao dia em que foi morto pelos militares norte-americanos, em 2011. Esta sexta-feira, o jornal britânico The Guardian conseguiu a primeira entrevista à mãe de bin Laden, numa conversa há muito esperada e que também contou com a presença dos filhos Ahman e Hassan e do  segundo marido de Alia, Mohammed al-Attas.

A conversa teve lugar na mansão da família em Jidá, a cidade saudita que alberga, há muitas gerações, a família bin Laden, uma das ricas do reino. O cenário da entrevista mostra que Ghanem não esquece Osama: à sua volta estão colocadas várias molduras com o retrato de Bin Laden, que foi morto em 2011 por militares norte-americanos na sua casa em Abbottabad, no norte do Paquistão.

“A minha vida foi muito difícil porque ele estava muito longe de mim”, começou por dizer Alia Ghanem, relembrando o filho como um menino que era tímido, inteligente e uma figura forte. Foi aos 20 anos, quando Bin Laden foi para a Universidade Rei Abdulaziz para estudar economia, que o processo de radicalização se iniciou. “As pessoas na universidade mudaram-no. Ele tornou-se num homem diferente”, diz Alia Ghanem, acrescentando que Bin Laden “foi uma criança boa até conhecer algumas pessoas que lhe fizeram uma lavagem cerebral”.

Esta radicalização terá começado quando Osama conheceu Adbullah Azzam, da Irmandade Muçulmana. “Eu dizia-lhe sempre para ele ficar longe deles e ele nunca admitiu o que fazia porque me amava muito”, acrescentou a mãe. 

No início dos anos 80, quando Bin Laden viajou para o Afeganistão, para combater a ocupação russa, “todos os que o conheceram nos primeiros dias respeitavam-no, até mesmo o governo saudita tratava-o de forma nobre e respeitosa”, disse o meio-irmão Hassan. Mas algo aconteceu e, de repente, chegou um Osama radicalizado. Os sentimentos mudaram. “Tenho muito orgulho nele porque era o meu irmão mais velho. Ensinou-me muitas coisas, mas não me orgulho muito dele como homem. Ele atingiu o estrelato no palco mundial, mas foi para nada”, referiu.

Já Alia Ghanem nunca imaginou a possibilidade de o filho se tornar jihadista: “Nunca me passou pela cabeça. Nós estávamos extremamente chateados. Eu não queria que nada disto acontecesse. Porque é que ele deitou tudo a perder desta forma?”, questionou. A família garante que a última vez que viu Osama foi em 1999 no Afeganistão, num ano em que o visitaram duas vezes.

“Não refaças os passos do teu pai. Estás a entrar em partes horríveis da tua alma”

Depois de Ghanem sair da sala em que o jornalista do The Guardian conduzia a entrevista, foram os meios-irmãos de Bin Laden  a continuar a conversa. Lembraram que a mãe “continua a negar o caso de Osama”, mesmo passados 17 anos após o ataque às torres gémeas de Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001. “Ela amava-o muito e recusa-se a culpá-lo. Em vez disso, culpa os que o rodeiam”, disseram Ahman e Hassan, acrescentando que a mãe de Bin Laden “só conhece o lado do bom menino, mas nunca chegou a conhecer o lado jihadista”.

Ao contrário da mãe, os irmãos de Osama sabiam “desde o início”, que Bin Laden era o responsável. “Do mais jovem ao mais velho, todos nos sentimos envergonhados por ele. Sabíamos que todos íamos enfrentar consequências terríveis”, acrescentaram. Toda a família foi interrogada pelas autoridades e temporariamente proibida de abandonar o país.

O filho mais novo de Bin Laden, Hamza, também foi motivo de conversa e é uma das preocupações da família. O homem de 29 anos, que se acredita estar no Afeganistão e que foi oficialmente considerado “terrorista global” pelos Estados Unidos, quer vingar a morte do pai e seguir as suas pisadas, sob proteção do novo líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. Um dos tios, Hassan, confessa: “Se Hamza estivesse na minha frente agora, eu dizia-lhe «Deus te guie. Pensa duas vezes sobre o que estás a fazer. Não refaças os passos do teu pai. Estás a entrar em partes horríveis da tua alma»”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)