Os Estados Unidos da América não estão envolvidos no ataque ocorrido em Caracas no sábado e denunciado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como uma tentativa de “assassinato”, afirmou este domingo o conselheiro para a segurança nacional de Donald Trump, John Bolton.

“Posso dizer categoricamente que não houve qualquer participação do governo norte-americano” no ataque, declarou Bolton à televisão Fox.

Duas explosões, aparentemente provocadas por ‘drones’ (veículo aéreo não tripulado), obrigaram Maduro a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar). O presidente da Venezuela escapou ileso, mas sete militares ficaram feridos e foram hospitalizados.

Nicolas Maduro acusou o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, de ter ordenado o ataque, tendo a presidência da Colômbia refutado a alegação.

O presidente venezuelano disse ainda que as primeiras investigações indicam que vários dos responsáveis intelectuais e financeiros do alegado atentado vivem na Florida, adiantando esperar que o presidente Trump colabore com a Venezuela.

“Se o governo venezuelano tiver informações sólidas que queira enviar-nos e que mostrem uma possível violação da lei penal norte-americana analisá-las-emos com seriedade, mas enquanto isso, deveríamos concentrar-nos na corrupção e opressão do regime na Venezuela”, adiantou John Bolton.

Considerou que o ataque de sábado poderá ter várias causas “como um pretexto montado pelo próprio regime ou qualquer outra coisa”.

O incidente, reivindicado por um misterioso grupo rebelde, o Movimento Soldados de Flanelas (MSF), ocorre numa altura em que a Venezuela vive uma situação social e política particularmente tensa, com uma penúria generalizada no país.

A inflação pode atingir os 1.000.000% no final de 2018, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), enquanto o produto interno bruto (PIB) pode cair 18%.