Os sogros de Donald Trump obtiveram cidadania americana na quinta-feira com um visto que já foi amplamente criticado pelo presidente norte-americano — e com o qual quis mesmo acabar. Melania Trump pode ter ajudado os pais a consegui-lo.  “Correu tudo bem e estão muito agradecidos por este dia maravilhoso para a sua família“, afirmou o advogado dos pais de Melania, Michael Wildes, em comunicado enviado à CNN. O gabinete da primeira-dama, contudo, recusou-se a fazer qualquer comentário.

Viktor e Amalija Knavs, os pais de Melania, são eslovenos e estavam nos Estados Unidos a viver com vistos de residência permanente (os chamados green cards). Aliás, desde que Trump assumiu a presidência em 2016, têm sido vistos com frequência em Washington.

Uma fonte próxima dos pais da primeira-dama disse à CNN que Melania “patrocinou” a residência dos pais, utilizando o seu estatuto para conseguir obter os tais green cards — que lhes permitem viver e trabalhar por um período indefinido nos Estados Unidos –, mas o advogado recusou-se a comentar esta informação.

A administração Trump assumiu uma posição muito rígida relativamente à imigração e tem tentado colocar fim ao processo pelo qual um cidadão norte-americano pode patrocinar a cidadania para familiares próximos imigrantes, o chamado princípio de reunificação familiar. Por esta razão, o processo dos pais de Melania tem sido criticado: beneficiaram de uma lei que facilita a imigração de alguém que já tem familiares (cônjuge, pais, filhos e irmãos) no país. Uma lei que Trump quer restringir — alegando que se trata de uma via aberta para a entrada de terroristas — para se passar a aplicar apenas aos cônjuges e filhos menores de 18 anos.

“Acredito fortemente nos princípios da reunificação familiar, que são um pilar da política de imigração e da lei e que trouxe milhões de pessoas até às nossas costas”, afirmou Michael Wildes sobre esta política. A verdade é que há muito poucas formas de obter estes vistos, pelo que a maioria das pessoas os consegue através de familiares. Restrigindo a lei, os especialistas acreditam que a imigração iria ter uma quebra de 40% a 50%.

O advogado do casal garante que Viktor, de 73 anos, e Amalija Knavs, de 71, cumpriram com o requisito de viver de forma permanente durante, pelo menos, cinco anos no país — como pede a lei –, mas não fez qualquer comentário sobre a forma como obtiveram os vistos de residência nem a nacionalidade.