Mais um negócio bem sucedido na carreira de empresário de Gerard Piqué — que acontece paralelamente ao percurso no futebol. A Federação Internacional de Ténis (ITF) aprovou, esta quinta-feira, em Orlando, a proposta da empresa Kosmos, presidida pelo jogador do Barcelona, para alterar o formato competitivo da Copa Davis de ténis já a partir do próximo ano. O acordo tem a duração de 25 anos e implica um investimento, das duas partes, a rondar os 2.450 milhões de euros. O objetivo: reestruturar o torneio que se realiza há mais de um século e torná-lo em algo mais atrativo, ao estilo de um Mundial de futebol.

A proposta de alteração foi aprovada com 71,43% dos votos dos 120 delegados presentes na cidade norte-americana, mais do que a maioria de dois terços necessária para a sua aprovação. As alterações, que vão ser introduzidas na próxima edição — a realizar-se em Madrid ou em Lille — têm como ideia base a simplificação da prova, que vai passar a ser disputada numa semana (em vez dos atuais quatro fins-de-semana) em novembro, num único local, e vai contar com 18 equipas em vez das atuais 16. Vão também ser aumentados os prémios para os jogadores, que vão poder receber até 20 milhões de dólares (perto de 18 milhões de euros), colocando a competição ao nível dos Grand Slams. Esta medida acontece porque os cachés têm vindo a diminuir nos últimos anos, fazendo com que o torneio seja mais um estorvo no preenchido calendário ATP, do que propriamente um estímulo para os tenistas.

O novo formato arranca a 28 de janeiro do próximo ano com uma ronda eliminatória de 24 seleções, entre as quais estarão as equipas que terminarem entre o 5.º e o 16.º lugar a Copa Davis do ano anterior, as 12 equipas apuradas dos grupos zonais (seis da Europa e África, três da Ásia e Oceânia e três da América). Na base das alterações aprovadas pelo organismo regulador da modalidade, que contemplam também a redução do número máximo de sets por encontro, de cinco para três, está a necessidade de rentabilizar a prova, que marcará o encerramento anual da temporada tenística.

Piqué: “Um dos dias mais felizes da minha vida”

Neste negócio sobressai um nome: Gerard Piqué. O central do Barcelona está cada vez mais é atraído pela vertente empresarial (talvez preparando o futuro) e vê no ténis uma área por explorar. Além de sócio, é também fundador do grupo de investimento de media e desporto Kosmos, que recebeu luz verde da Federação Internacional de Ténis.

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Mas não é só a área do futebol que atrai o jogador. Piqué é também sócio num restaurante em Barcelona e tem 27% da Bas Alimentaria, uma empresa ligada à indústria de carne catalã que comercializa hambúrgueres. Mas é com o pai e com o irmão que tem os principais negócios: a Kerard Games, empresa ligada aos videojogos com um capital social de cinco milhões de euros; a Kerard Holding, que tem investimentos no imobiliário; e a Kerard Project, vocacionada para os direitos de imagem.

Piqué está assim a colher os frutos do investimento que fez na sua formação: o jogador paga a um professor privado de economia e gestão de empresas e tirou um MBA na mesma área em Harvard — onde teve como colega a atriz Katie Holmes, o basquetebolista da NBA C. J. McCollum e o jogar de râguebi Jamie Heaslip.

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Entretanto o jogador já reagiu ao anúncio da Federação Internacional de Ténis, afirmando que este é “um dos dias mais felizes” da sua vida.

“Gostaria de agradecer ao presidente da ITF, David Haggerty, ao Conselho de Administração da ITF e a toda a equipa da ITF pelo trabalho desenvolvido com a Kosmos nos últimos meses para dar início a esta nova etapa que continuaremos a evoluir juntos”, assinalou o jogador. “É o início de uma nova fase que garante à Taça Davis a notoriedade legítima de uma competição por seleções, adaptando-se às exigências do desporto ao mais alto nível. É uma grande honra fazer parte deste processo histórico de um desporto que amo. É, sem dúvida, tanto a nível pessoal como profissionalmente, um dos dias mais felizes da minha vida”.

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