O papa Francisco recomendou aos pais o recurso à psiquiatria assim que estes se apercebam de tendências homossexuais dos filhos durante a infância, noticiou esta segunda-feira a agência de notícias France-Presse (AFP).

“Quando [a homossexualidade] se manifesta na infância, a psiquiatria pode desempenhar um papel importante para ajudar a perceber como as coisas são. Mas é outra coisa quando ocorre depois dos vinte anos”, respondeu o papa a um jornalista, a bordo do avião que o transportava da Irlanda para Roma.

Questionado sobre o que diria aos pais com filhos homossexuais, o representante máximo da Igreja Católica afirmou que lhes pediria “que rezem, que dialoguem e que entendam, mas que não condenem”. Por fim, defendeu que o “silêncio nunca será uma cura” porque, sublinhou, “ignorar um filho ou uma filha com tendências homossexuais revela falta de paternidade ou maternidade”.

A resposta do papa à imprensa foi mal recebida nas redes sociais, com ativistas LGBT a acusar o chefe da Igreja Católica de sugerir que a homossexualidade é uma doença mental. Posteriormente, quando o Vaticano publicou a resposta de Francisco no seu site de notícias oficial, a parte em que o sugere que a “psiquiatria pode desempenhar um papel importante” quando a homossexualidade se revela na infância não foi incluída.

Contactada pela AFP, uma porta-voz do Vaticano justificou que as declarações tinham sido excluídas para não “mudar os pensamentos do Santo Padre”. “Quando o papa se referiu à ‘psiquiatria’, é claro que ele estava a destacar um exemplo das ‘coisas que podem ser feitas’. Mas com essa palavra ele não pretendia dizer que [a homossexualidade] é uma ‘doença mental'”, disse.

[artigo atualizado às 9h22 de 28 de agosto de 2018]