O Partido dos Trabalhadores (PT) continua a ter com problemas com a Justiça brasileira. Depois de Lula da Silva ter sido impedido de se candidatar às presidenciais de outubro pelo Tribunal Superior Eleitoral por estar preso, foi agora a vez do seu provável substituto ser formalmente acusado pelo Ministério Público (MP) de São Paulo dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e associação criminosa

Fernando Haddad, ex-presidente da Câmara de São Paulo e que está indicado pelo PT como candidato a vice-presidente da República, foi acusado por de ter recebido 2,6 milhões de reais (cerca 521 mil euros) de um empresário chamado Ricardo Pessoa durante a campanha de 2012 para a Câmara de São Paulo. Os pagamentos terão sido feitos através de um saco azul em troca de futuros favorecimentos na adjudicação de obras públicas por parte da administração municipal, avança o jornal Estadão.

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Além de Fernando Haddad e Ricardo Pessoas, João Vaccari Neto (o ex-tesoureiro do PT), o cambista ilegal Alberto Youssef (uma figura central da Operação Lava Jato que colaborou com o Ministério Público Federal), Walmir Pinheiro (ex-diretor financeiro de uma empresa de construção civil) e ainda o ex-deputado estadual do PT Francisco Carlos de Souza, mais conhecido como Chicão, foram igualmente acusados pelo MP de São Paulo.

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Haddad rejeitou a acusação e apontou o dedo a Ricardo Pessoa, cuja delação ajuda a sustentar a acusação do Ministério Público. O número dois de Lula da Silva defendeu-se afirmando existir uma componente eleitoral por trás das ações do Ministério Público.

Surpreende que no período eleitoral, uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato a vice-presidente da República, Fernando Haddad. É notório que o empresário já teve sua delação rejeitada em quase uma dezena de casos e que ele conta suas histórias de acordo com seus interesses”, lê-se na nota enviada pela assessoria de imprensa do candidato.

Esta não é a primeira acusação do Ministério Público contra Haddad. No dia 27 de agosto foi movida uma ação em que o político é acusado de enriquecimento ilícito e é pedida a perda de direitos políticos, para que não se possa candidatar a cargos políticos.

Depois de ver a candidatura chumbada no Tribunal Superior Eleitoral na última sexta-feira, o Partido dos Trabalhadores recebeu um prazo de 10 dias para apresentar um novo candidato à presidência do Brasil. Apesar de o Partido ter afirmando que irá recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal, Haddad tem vindo a ganhar protagonismo como o principal candidato e, até ao momento, tudo indica que deverá avançar pelo PT.