Desde 27 de junho que o Hayabusa 2, um veículo espacial de robótica da Agência Espacial do Japão (JAXA) paira a 20 quilómetros da superfície do asteróide 162173 Ryugu. Esse asteróide, descoberto em maio de 1999, tem apenas um quilómetro de diâmetro, mas pode esconder algumas das respostas que os cientistas procuram há décadas: o estudo das rochas que o compõem pode desvendar alguns mistérios sobre a origem da vida na Terra e o nascimento do Sistema Solar. É por isso que a JAXA baixou a órbita do Hayabusa 2 para os seis quilómetros e largou dois pequenos rovers para a superfície: se tudo correr bem, os rovers vão recolher algumas amostras do asteróide e trazê-la para casa em 2020.

A agência espacial japonesa já sabe que os dois rovers foram largados com normalidade de dentro do Hayabusa 2 para a superfície do asteróide. Mas a qualquer momento, até às 17h30 de acordo com as previsões da JAXA, é que os engenheiros vão saber se os dois pequenos veículos espaciais chegaram ao chão a são e salvo. Se a missão chegar a bom porto, a Agência Espacial do Japão terá dado mais um passo importante na exploração espacial: estes seriam os primeiros rovers a serem deixados com sucesso dentro de um asteróide.

A escolha do asteróide é simples. Em primeiro lugar é um objeto próximo à Terra e a rota dele à volta do Sol até interceta a rota de translação do nosso planeta, por isso é possível que estudar a composição de Ryugu pode dar mais pistas sobre de onde vem a vida, como é que ela se desenvolveu e, sobretudo, como é que o Sistema Solar nasceu. A contribuir para isso está também o facto de Ryugu ser um asteróide muito primitivo: foi tão pouco alterado desde que nasceu que testemunha os primeiros dias do Sistema Solar, como se fosse um fóssil. São dados como estes que Rover 1A e Rover 1B vão recolher se chegarem inteiros e funcionais à superfície do asteróide.

Cada um desses rovers está guardado dentro de pequenos contentores com formato de tambor e juntos têm 3,3 quilos de massa. A operação para lançar Rover 1A e Rover 1B para a superfície do asteróide começou na quinta-feira, quando o Hayabusa 2 se aproximou dela para largar as caixas às cinco da manhã desta sexta-feira. Agora pode ser preciso esperar até às 17h30 de Lisboa para haver comunicações entre os rovers e os engenheiros em Terra. Depois, se a aterragem tiver sido bem sucedida, os rovers (cada um deles com um quilograma) vão mover-se saltando de um lado para o outro — como os astronautas na Lua — usando motores com propulsores para aproveitar o fraco campo gravítico do corpo celeste.

Além de recolher rochas do asteróide, os dois rovers do Hayabusa 2 vão fazer medições da superficie do Hayabusa 2 e registar a temperatura do corpo celeste. Além disso, vão tirar fotografias do Ryugu e enviá-las para Terra.