A erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 a.C. pode ter acontecido dois meses mais tarde do que calculavam os historiadores, anunciaram as autoridades italianas esta terça-feira. Até agora, a comunidade científica admitia que a erupção que tinha soterrado a cidade debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de agosto de 76 a.C.. Agora, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada pelos arqueólogos sugere que, afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de outubro de 79 a.C..

A datação do desastre de Pompeia começou a ser feita pelos cientistas e pelos historiadores com base em documentos criados pelo autor e advogado romano Plínio, o Jovem, que, a pedido do historiador Tácito, escreveu sobre a morte de Plínio, o Velho, tio desse mesmo advogado. Nesses documentos, Plínio explicou que o tio, um comandante da frota em Miseno, tinha partido para Pompeia para ajudar a população, mas nunca tinha regressado.

A partir de Miseno, Plínio sobrinho via a destruição a tomar conta de Pompeia: “Contei-vos fielmente o que vi enquanto testemunha ocular de mim, mesmo ou o que recebi imediamente depois de o acidente ter acontecido, e antes houvesse tempo para variar a verdade”, escreve o advogado nos documentos. Esses relatos foram escritos 25 anos depois da catástrofe e neles Plínio escreveu que tudo tinha acontecido “nonum kal. Septembres“. Essa é uma forma de datação latina que atualmente é convertida para “nove dias antes do primeiro de setembro”.

Foi assim que a comunidade científica admitiu que a erupção do vulcão Vesúvio tinha acontecido a 24 de agosto de 79 a.C.. A certa altura, à medida que as escavações no sítio arqueológico de Pompeia foram avançando, alguns cientistas começaram a duvidar dessa datação. Os arqueólogos encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Esses vestígios sugeriam que o desastre tinha acontecido durante o outono, já que esses frutos só podem ser colhidos nessa época do ano e a roupa que as vítimas usavam eram quentes demais para o verão.

Agora, essas dúvidas podem ter chegado ao fim. O Parque Arqueológico de Pompeia anunciou que os arqueólogos descobriram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov“. Traduzido do latim para o português, essa frase significa “16º dia antes do primeiro de novembro”, ou seja, 17 de outubro. À conta dessa descoberta, os arqueólogos sugerem agora que, afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode ter acontecido dois meses depois do calculado.

Os cientistas acreditam que essa frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Mas não muito antes porque, como a frase foi escrita em carvão, seria difícil que ela pudesse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão. Por isso, apesar de os cientistas sublinharem que a frase pode ter sido escrita tanto no dia da catástrofe como pouco antes, este novo graffiti indica uma data mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.