A Comissão Europeia e o multimilionário Bill Gates assinaram esta quarta-feira um memorando de entendimento para criarem um fundo de investimento de 100 milhões de euros destinado a empresas europeias inovadoras que estejam a desenvolver tecnologias radicalmente novas no campo das energias limpas. Prevê-se que o Breakthrough Energy Europe esteja operacional em 2019.

O fundo é criado juntamente com a Breakthrough Energy Ventures, fundo presidido pelo cofundador da Microsoft e que conta com a participação de outros multimilionários, como Jeff Bezos (Amazon), Richard Branson (Virgin) ou o investidor George Soros.  O objetivo do novo fundo é ajudar estas empresas a introduzirem os seus produtos no mercado. Metade do capital é assegurado pela Breakthrough Energy e a outra metade pelo InnovFin, ou seja, pelos instrumentos financeiros com partilha de riscos financiados pelo Horizonte 2020, o atual programa de investigação e inovação da União Europeia.

“Precisamos de novas tecnologias para evitar os piores efeitos das alterações climáticas. A Europa demonstrou uma liderança exemplar mediante a realização de avultados investimentos em I&D [Investigação e Desenvolvimento]. Os cientistas e empresários em vias de desenvolver soluções inovadoras para combater as alterações climáticas requerem capitais para criar empresas em condições de introduzir essas inovações no mercado mundial. O fundo Breakthrough Energy Europe foi concebido para assegurar a mobilização desses capitais”, afirmou Bill Gates.

Com o novo fundo, a Europa adota medidas para continuar a liderar o combate às alterações climáticas e a aplicar o Acordo de Paris e assinalar aos mercados de capitais e investidores “que a transição global para uma economia moderna e não poluente veio para ficar“, lê-se no comunicado.

Carlos Moedas afirmou que o fundo “tem uma grande importância, porque aquilo que vai fazer a diferença nos próximos 10 anos são estas parcerias entre o dinheiro público e o privado, porque não vamos conseguir lutar contra as alterações climáticas só com financiamento público ou só com o privado”.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, afirma que a Europa tem de “fazer avançar a modernização da economia e da indústria na Europa” e alcançar “os objetivos ambiciosos” fixados para proteger o planeta.

“No intuito de viabilizar soluções a longo prazo que permitam reduzir as emissões dos gases com efeito de estufa, é essencial conjugar a realização de investimentos públicos e privados em novas tecnologias inovadoras no domínio das energias limpas. Para que a Europa possa dispor de um futuro suscetível de assegurar o bem-estar de todos os seus cidadãos, é necessário que seja respeitadora do clima e sustentável”, afirmou Juncker.

O fundo junta financiamento público e o capital de risco a longo prazo com o objetivo de incorporar no mercado os resultados da investigação e da inovação no domínio das energias limpas de forma mais rápida e eficiente. Vai centrar-se na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na promoção da eficiência energética nos setores da eletricidade, transportes, agricultura, indústria transformadora e imóveis.

Carlos Moedas, comissário responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, acrescentou que o novo fundo é uma forma de respeitar o compromisso que a Comissão Europeia assumiu para estimular a cooperação entre os setores público e privado. “O fundo de 100 milhões de euros será direcionado para intervenientes inovadores e empresas da UE que sejam suscetíveis de assegurar reduções significativas e duradouras nas emissões de gases com efeito de estufa”, explicou.

Até 2030, a Comissão Europeia quer reduzir as emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia em, pelo menos, 40 por cento. Para que isso aconteça, tem estado a trabalhar numa estratégia a longo prazo, cuja proposta será publicada em novembro de 2018, na Polónia. “Temos basicamente 10 anos para evitar o pior”, afirmou Carlos Moedas.