Rádio Observador

Energia Renovável

Que projeto inovador juntou Mexia, Galamba e o novo ministro da transição energética

157

Um projeto inovador para produzir energia eólica em águas profundas. O Windfloat trouxe à sede da EDP o novo secretário de Estado da energia e o ministro com uma viragem na discurso sobre o setor.

ANDRE DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Windfloat. O projeto vem do tempo do Governo de José Sócrates e Manuel Pinho e da grande aposta nas energias renováveis. Em causa está a produção de energia eólica offshore, ou seja, no mar, mas a uma profundidade — 100 metros — que não permite o uso do método tradicional de estacas. Depois dos primeiros testes ainda na Póvoa do Varzim, o projeto foi marcando passo.

Uma das principais questões por resolver era o financiamento para a construção do cabo submarino que liga a plataforma flutuante onde vão estar as turbinas, ao largo de Viana do Castelo, e a rede elétrica em terra. E esta sexta-feira foi dado um passo decisivo para ultrapassar o problema com a assinatura de um empréstimo de 60 milhões de euros do Banco Europeu de Investimentos (BEI), atribuído no quadro da iniciativa InnovFin para projetos de inovação energética do Programa Horizonte 2020. O projeto asseguriu ainda 29,9 milhões de euros do programa NER300 da União Europeia e até seis milhões de euros do Governo português financiados pelo Fundo de Carbono.

A assinatura do financiamento do BEI foi o pretexto para uma cerimónia que juntou os novos homens fortes da energia no Governo, o ministro do Ambiente João Matos Fernandes e o secretário de Estado, João Galamba, com o homem forte da energia elétrica há vários anos em Portugal, António Mexia, o presidente executivo da EDP. E a estreia não podia ser mais simbólica sobre uma viragem na política da energia. Desanuviamento na relação com a empresa mais poderosa do setor, que até está disponível para retomar o pagamento da contribuição extraordinária, sob condições. E um entusiasmo renovado pela causa renovável.

Numa cerimónia onde também esteve a ministra do Mar, os protagonistas eram outros, como aliás reconheceu Ana Paula Vitorino quando saudou os primeiros atos públicos do ministro e secretário de Estado da transição energética. Mas o mediático João Galamba não falou, deixou o palco todo para João Pedro Matos Fernandes. E a intervenção do ministro do Ambiente, e agora também da Transição Energética, não desiludiu uma plateia de apoiantes das renováveis.

“Muita gente achava que o destino dele era estar no fundo do mar e não a flutuar”. A primeira frase de António Mexia ilustra as dificuldades e incertezas que rodearam este projeto descrito como inovador a nível mundial e que pode ajudar a revolucionar a produção eólica em grande escala, sobretudo em países onde não existe espaço para os parques e turbinas em terra ou mesmo na costa

O financiamento fechado esta sexta-feira marca o arranque da segunda fase que vai representar um investimento de 125 milhões de euros, que para além dos apoios públicos já referidos, vai ser suportado pelos acionistas, a EDP Renováveis, a petrolífera espanhola Repsol e a Principle Power, empresa americana onde a EDP e a Repsol são acionistas. Depois de provar que consegue resistir a ondas até 15 metros de altura, o nova fase do projeto vai ter uma capacidade instalada de 25 megatawatts, o suficiente para abastecer 60 mil casas num ano, e mobilizar 450 pessoas.

Das rendas na energia, “fruta da época” à prioridade da descarbonização

E porque estamos ainda no meio das discussão das rendas excessivas, o presidente executivo da EDP não deixou de referir as tarifas que vão ser pagas por esta energia, são 123 euros por MW de tarifa base, um valor muito acima do mercado atual, mesmo com os preços elevados do Mibel (mercado ibérico de eletricidade), mas que António Mexia fez questão de relativizar. Lembra que outros projetos inovadores, nomeadamente de energia eólica, arrancaram a preços muito mais altos que agora conseguem produzir a um custo competitivo. Esta é uma tecnologia de ponta, afirmou, que tem condições de ser competitiva daqui a dez anos, quando pode ser o futuro da eólica em países como o Japão ou na Europa onde a produção renovável tem de crescer muito para cumprir as metas do acordo do clima.

Mas para esse futuro se concretizar, é preciso baixar os custos, porque, como destacou o presidente da EDP Renováveis, “todos somos muito verdes, mas ninguém está disposto a pagar o sobrecusto”. Por isso não basta que a tecnologia funcione, tem de ser competitiva e para isso temos de baixar os custos, sublinhou João Manso Neto. E para isso é preciso ganhar escala e fazer mais projetos.

Na energia, os temas dominantes têm sido os CMEC, CAE (contratos de rendas de energia) e CESE (contribuição sobre a energia), mas Matos Fernandes quis mudar o discurso da política energética para um tema que descreveu como vital: descarbonização da economia portuguesa prometida para 2050. “Chega de discutir a fruta da época quando o desafio é desta dimensão”. O ministro do Ambiente admitiu ainda que faltava a dimensão da energia para poder levar mais longe estes objetivos, o que ficou resolvido com esta remodelação.

A energia e os transportes têm de reduzir as emissões em 85% e vamos ter de ter uma frota de carros elétricos e a hidrogénio e, eventualmente, biocombustíveis. Mais renováveis, mas também maior eficiência energética. Porque afinal, a “energia mais barata é a que não se gasta”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt
Cooperação económica

De braço dado com Angola

José Manuel Silva

O momento político angolano é propício à criação de laços baseados na reciprocidade e na igualdade de tratamento, sem complexos de nenhuma espécie. A história foi o que foi, o presente está em curso.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)