Sophia de Mello Breyner Andresen

Homenagem a Sophia de Mello Breyner abre Festival Internacional de Teatro da ACERT

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O Festival Internacional de Teatro (FINTA) vai começar com uma homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, na quarta-feira, e termina com a apresentação do terceiro caderno de teatro.

O diretor da Associação Cultural de Tondela disse, esta terça-feira, à Lusa que o Festival Internacional de Teatro (FINTA) começa com uma homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, na quarta-feira, e termina com a apresentação do terceiro caderno de teatro.

“A nossa estreia é também um ponto marcante, sempre, do festival, que é o próprio ADN da companhia a refletir-se no FINTA, este ano, com ‘Para Ti, Sophia’, um espetáculo que é fundamentalmente um tributo, neste caso de uma forma muito incisiva, a uma grande escritora e poetisa portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen”, explicou o diretor da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), José Rui Martins à Lusa.

Esta 24.ª edição do FINTA decorre até sábado, dia 17, com espetáculos de música, dança, ilusionismo, teatro, workshops, uma exposição e a antestreia do espetáculo “para Sophia”, que segue “de imediato, em digressão para as escolas e espetáculos especiais como tem sido feito regularmente”, com outras peças apresentadas no festival.

“Já tínhamos ido beber à sua escrita [de Sophia], episodicamente, mas, neste caso, trata-se de pegar nas palavras e na narrativa da Sophia de Mello Breyner para fazer este espetáculo de que estamos muito satisfeitos pelos resultados”, congratula-se o diretor da ACERT que recusa qualquer colagem às comemorações do centenário do nascimento da escritora, 6 de novembro de 1919.

Segundo José Rui Martins, “o objetivo primeiro não teve esse caráter, ainda [que fosse] perfeitamente normal”. É um espetáculo que tinham em agenda “há muito tempo”, embora reconheça que o centenário da escritora “é, naturalmente, mais apetecível e pode constituir uma aliciante, por parte das entidades que organizam os espetáculos, quer autarquias, quer bibliotecas, quer as salas” do país.

“É uma viagem pelo ambiente, quer lírico, quer fantástico, da obra de Sophia de Mello Breyner, e tratamento das dramatologias criadas à volta dos seus textos, da sua poética. Mesmo que [esta] não esteja refletida, está sempre subjacente a um texto que o autor se vale para construir as personagens, para viver dentro do ambiente poético”, explicou.

A 24.ª edição do FINTA conta com a presença da Companhia de Dança Rastro, do Brasil, “com o apoio da secretaria da Cultura do Estado de Ceará, ao abrigo dos intercâmbios feitos com outros festivais e grupos ao longo do ano”. “O FINTA reflete um conjunto de relações estabelecidas pelo Trigo Limpo [a companhia de teatro da estrutura] nas suas digressões, quer nacional, quer internacionalmente, na medida em que muitos dos espetáculos ou frutos [resultam] de contactos que faz nas suas digressões e também do intercâmbio cultural com outros festivais e grupos, como é o caso do grupo brasileiro”, explicou José Rui Martins.

Durante os quatro dias de festival, há espaço para a Companhia O Último Momento e o Colette Gomette, de França, para uma exposição de Fernando Taborda, para a participação da Peripécia Teatro, de Vila Real, para o Conservatório de Música e Artes do Dão, de Santa Comba Dão, e para o Red Cloud Teatro de Marionetas, sediado em Aveiro.

Com o objetivo de ser um festival “com momentos diversificados e com a maior abrangência de público possível”, há ainda um workshop pelo Teatro e Marionetas da Mandrágora, de Espinho, o lançamento do CD “O pequeno grande polegar”, do Trigo Limpo Teatro ACERT assim como o lançamento do terceiro caderno de teatro da companhia anfitriã.

“Um momento muito especial do FINTA, que lhe dá identidade, [é] a edição de mais um caderno teatral com um texto, entre os muitos que o Trigo Limpo Teatro ACERT adaptou ao teatro, a saída de mais um livro com o texto do ‘a partir do preto’, para que os grupos peguem nesse texto e o adaptem à contemporaneidade”, desafiou o diretor.

Um trabalho que, segundo José Rui Martins, “é muito importante, ou seja, o enriquecimento de textos teatrais” e, uma vez que o Trigo Limpo “tem tantos – porque no fundo faz o seu percurso, pegando em textos que não são dramáticos e criando textos dramáticos” -, acaba por ser um “trabalho que apaixona bastante” os criadores da companhia beirã.

“Saber que vamos, todos os anos, pegar em dezenas de textos e adaptar para teatro, para que ‘reganhem’ no palco inovação e criatividade, e tendo esperança de que quem pegar no livro o trate no seu tempo, com a sua realidade, com o seu elenco, que lhe dê nova vida… É um contentamento incrível saber que um filho ganha nova vida. É extraordinário”, disse.

O FINTA abre portas esta quarta-feira, 14 de novembro, às 14h30 com a ante-estreia de “Para ti, Sophia” e encerra no dia 17, às 21h45, com a companhia de dança brasileira a apresentar “Currais”, na sede da ACERT, em Tondela, distrito de Viseu.

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