O número de mortos por contaminação de ébola nas províncias de Kivu Norte e Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), aumentou para 209 desde 1 de agosto, divulgou, esta terça-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dados da OMS indicam que 23 pessoas morreram em consequência do contágio do vírus desde a última atualização, em 4 de novembro, até ao passado domingo. O número mais expressivo de mortos devido ao contágio pelo vírus ocorreu na província de Kivu Norte, nas localidades de Beni (91), Mabalako (67) e Butembo (18).

Mais mulheres do que homens perderam a vida em consequência da epidemia nas províncias de Kivu Norte e Ituri, as mais populosas da RDCongo, decretada a 1 de agosto. Entre as mulheres, a faixa etária com maior número de mortos situa-se entre os 15 e os 24 anos, enquanto a predominância situa-se entre 35 e 44 anos nos homens.

Os registos de casos – a grande maioria confirmados – aumentaram também, de 300 em 4 de novembro para 333. Em ambos os casos, o número de situações prováveis foi de 38. Entre os casos de contágio confirmados encontram-se o de duas enfermeiras, o que elevou para 27 os agentes de saúde contaminados com ébola. No grupo de profissionais que prestam cuidados médicos na RDCongo, três acabaram por contrair o vírus e morrer.

Até 4 de novembro, 26.687 pessoas foram vacinadas na RDCongo, incluindo 9.105 elementos de organizações de socorro, governamentais e não-governamentais, e 7.006 crianças.

Esta epidemia de ébola foi constatada em Mangina, nas províncias de Kivu Norte e Ituri, alastrando até perto da fronteira com o Uganda, em Beni, região do grupo armado ADF, que multiplicou os ataques contra civis, o que complicou a resposta sanitária. Para prevenir que a epidemia alastre, o Uganda realizou um programa de vacinação de funcionários na fronteira com RDCongo, atravessada diariamente por centenas de pessoas, num trânsito normal.

Nos últimos meses, a ONU inquietou-se com o risco de propagação da epidemia ao Burundi, Uganda, Ruanda e Sudão do Sul e, na semana passada, uma resolução do Conselho de Segurança instou estes países africanos a reforçarem as capacidades operacionais para lutar contra a doença, em total cooperação com a OMS.

A epidemia de ébola é já a maior da história do país relativamente ao número de contágios, anunciou o Governo, no sábado passado. “[Esta epidemia] acaba de ultrapassar o da primeira epidemia registada na história [da RDCongo] em 1976”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Oly Ilunga Kalenga, num comunicado divulgado pela agência de notícias espanhola Efe. A RDCongo foi atingida nove vezes pelo ébola, depois da primeira aparição do vírus no país africano, em 1976.

Em 1995, o vírus do ébola, que se transmite por contacto físico através de fluidos corporais infetados e que provoca febre hemorrágica, provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na província de Kwilu, no sudoeste da RDCongo.

“Nenhuma outra epidemia no mundo tem sido tão complexa como a que estamos a experimentar atualmente”, afirmou Ilunga Kalenga, recordando também a rejeição, as ameaças e as agressões habitualmente enfrentadas pelas equipas médicas e humanitárias que trabalham nas províncias de Kivu Norte e Ituri.

É a primeira vez que uma epidemia de ébola é declarada numa zona de conflito, onde existe uma centena de grupos armados, o que leva à deslocação contínua de centenas de milhares de pessoas que podem ter estado em contacto com o vírus.

A insegurança complica e limita o trabalho dos profissionais de saúde que sofrem ataques ou mesmo sequestros realizados por grupos rebeldes, como aconteceu com três agentes de proteção civil e um epidemiologista na cidade de Matembo.