O juiz Sérgio Moro, que liderava a operação judicial Lava Jato, pediu oficialmente esta sexta-feira afastamento em definitivo do cargo de magistrado para assumir o Ministério da Justiça no futuro Governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Moro havia dito que iria renunciar apenas no início de janeiro, pouco antes de tomar posse como ministro da Justiça, mas agora antecipou a saída para ser capaz de “assumir imediatamente uma posição executiva na equipa de transição da Presidência da República”, pode ler-se na carta de renúncia. Antes de renunciar, o juiz tinha saído de férias para ficar longe de seus deveres e trabalhar com a equipa de transição, mas houve críticas porque, sendo juiz, Moro não poderia participar do planeamento das ações do próximo Governo.

“Como foi divulgado, houve quem reclamasse que eu, mesmo em férias, afastado da jurisdição e sem assumir cargo executivo, não poderia sequer participar do planeamento de ações do futuro Governo”, disse Moro na sua carta de demissão.

“Embora a permanência na magistratura fosse relevante ao ora subscritor por permitir que seus dependentes continuassem a usufruir de cobertura previdenciária integral no caso de algum infortúnio, especialmente em contexto na qual há ameaças, não pretendo dar azo a controvérsias artificiais, já que o foco é organizar a transição e as futuras ações do Ministério da Justiça”, acrescentou o magistrado.

O pedido de exoneração do juiz Moro, que era titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba, foi aceite pelo juiz Thompson Flores, que preside ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4).

Moro, responsável em primeira instância pelos processos da operação Lava Jato, tornou-se famoso após ordenar a prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos por corrupção passiva e branqueamento de capitais. A pena imposta ao ex-presidente brasileiro diz respeito a um processo em que foi acusado de receber um apartamento como suborno em troca de beneficiar contratos da construtora OEA com a petrolífera estatal Petrobras.