Oito minutos. Durante oito minutos, em julho de 2015, Iker Casillas despediu-se do clube que representou durante 25 anos. Na sala de imprensa do Santiago Bernabéu, depois de semanas de avanços e recuos numa saída expectável, o guarda-redes despediu-se do Real Madrid, dos madrilenos e de Espanha. “Depois de 25 anos a defender a baliza do maior clube do mundo, chega um dia difícil, este dia, da minha vida desportiva. Dizer adeus a esta instituição que me deu tudo”, disse Casillas. Mas ressalvou: “Não vou dizer adeus. Voltaremos a ver-nos por aqui em breve”.

O destino, também esse expectável, foi o FC Porto. Chegou quando o treinador era o também espanhol Julen Lopetegui e agarrou, sem surpresas, a titularidade na baliza dos dragões. Manteve o estatuto de indiscutível após a saída de Lopetegui, tanto nas passagens de Rui Barros enquanto interino, José Peseiro para aguentar até ao final da época e depois Nuno Espírito Santo na temporada 2016/17. Foi com a chegada de Sérgio Conceição, em junho de 2017, que acabou por passar o momento mais difícil desde que se transferiu para o FC Porto: perdeu o lugar para José Sá por “opção técnica” do treinador – numa mudança que deu azo a muita polémica, teorias e até notícias de que Casillas estaria à procura de novo clube – e só o recuperou meses depois.

No final da temporada, quando o FC Porto voltou a ser campeão nacional depois de um jejum que durava desde 2013, era já novamente o guarda-redes titular de Sérgio Conceição e levantou o primeiro troféu ao serviço dos azuis e brancos. Logo após a conquista do campeonato, renovou por um ano com o FC Porto e soube que não estava nos 23 eleitos de Julen Lopetegui para representar a seleção espanhola no Mundial da Rússia.

Em três anos de azul e branco, Iker Casillas tornou-se já uma das figuras principais do FC Porto. Quanto à seleção, perdeu terreno para De Gea e Kepa e não é convocado desde o Campeonato da Europa de 2016. A ideia de um regresso ao Real Madrid, três anos após uma saída amarga, ou a possibilidade de ainda representar a La Roja no futuro, pareciam hipóteses afastadas. Mas Casillas garante que não. Em entrevista ao programa “Universo Valdano”, apresentado pelo ex-jogador argentino Jorge Valdano, o guarda-redes afirmou que se fosse solicitado por um ou por outro, regressaria.

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“Se a Seleção me chamasse voltava? Encantado. Se o Real Madrid me chamasse voltava? Claro, não posso esquecer o sítio onde me criei”, afirmou o guarda-redes de 37 anos, que respondeu às perguntas de Valdano no relvado do Estádio do Dragão. No pequeno vídeo divulgado no Twitter – o programa só é transmitido na próxima quarta-feira – Casillas falou ainda sobre a ida para o FC Porto, garantindo que foi “uma decisão acertada”. “Se tivesse ficado no Real Madrid tinha tido um final pior do que aquele que tive”, acrescentou.

O regresso de Iker Casillas à seleção espanhola, onde venceu dois Europeus e um Mundial, tem sido especialmente reivindicado pelos espanhóis devido às sucessivas más exibições de De Gea ao serviço da La Roja sofreu seis golos em dois jogos. A última foi esta quinta-feira, na derrota de Espanha com a Croácia em jogo da Liga das Nações (3-2): nas colunas de opinião dos desportivos espanhóis escreveu-se que “Casillas foi posto de lado por menos”.