O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) disse na quinta-feira que os constrangimentos à operação turística em Lisboa não foram ultrapassados e desafiou a Confederação do Turismo de Portugal a tomar uma posição de força.

“Na cidade de Lisboa, os constrangimentos colocados à operação turística não foram ultrapassados e foram mesmo agravados, naquilo que parece ser uma cedência aos mantras anti-turismo”, afirmou Pedro Costa Ferreira no 44.º Congresso Nacional da APAVT, que começou esta quinta-feira em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores.

“Acresce que a aparente dificuldade de diálogo, entre a câmara e a globalidade do setor turístico, neste capítulo representado pela Confederação do Turismo Português, não está a ajudar. Doutor Francisco Calheiros [presidente da CTP], julgo ser o momento da CTP tomar uma posição de força nesta matéria que, naturalmente, apoiaremos sem reservas”, sublinhou o presidente da APAVT perante uma plateia de empresários, agentes de todas as áreas do setor e da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

A 23 de novembro de 2017, no congresso nacional da APAVT que se realizou em Macau, Pedro Costa Ferreira já tinha advertido que as medidas implementadas por Lisboa no tema da operação turística podem fazer regressar um “silêncio assustador” às ruas da cidade.

Então, Pedro Costa Ferreira disse ter o dever de “chamar a atenção particular da tutela e da Confederação [do Turismo Português]” para “o tema da operação turística na cidade de Lisboa”.

Referindo-se, sobretudo, às restrições impostas pela Câmara de Lisboa à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da capital, mas também a novas medidas em estudo, o responsável considerou-as de “alterações profundas”.

“Comungamos dos objetivos de harmonização do crescimento com a qualidade de vida dos habitantes da cidade e, sim, consideramos que o trabalho na área do turismo tem sido muito meritório”, disse, referindo-se à Câmara Municipal de Lisboa e ao trabalho efetuado no pelouro do Turismo.

No entanto, “nenhum plano de harmonização deve afastar a atividade turística, antes deve exatamente tê-la, permanentemente, em conta”, acrescentou.

“Estamos a trabalhar em cima de realidades que cresceram muito, mas que se mantêm, acreditem, frágeis. Se não tivermos cuidado, voltaremos a ter sossego nas ruas de Lisboa. Mas daquele sossego assustador, que acompanha quem não pode sair à rua, com medo de ser assaltado, das drogas e da prostituição”, referiu, no ano passado, Pedro Costa Ferreira.

Também a 8 de agosto de 2017, a CTP tinha defendido a suspensão das restrições impostas pela Câmara de Lisboa à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da capital, para reavaliar o impacto no setor.

Em comunicado, a CTP deixava o aviso: “As restrições que a Câmara Municipal de Lisboa acaba de impor à circulação de autocarros de turismo em determinadas áreas da cidade têm um impacto negativo na atividade turística, nomeadamente junto das empresas que atuam no segmento MICE – Meetings, Incentives, Conferences, Exhibitions”, isto é, dedicadas à organização de eventos para grandes grupos.

No final de julho de 2017, o município da capital informou ter proibido a circulação de autocarros turísticos com mais de nove lugares nos acessos à Sé e ao Castelo de Lisboa, visando evitar problemas para os moradores, ao nível do ruído e do congestionamento do tráfego, entre outros.