O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que “era desejável” que no Porto de Setúbal pudesse haver um diálogo social normal como nos outros portos do país e não caracterizado pelo “tipo de atuação que lá tem existido”.

Esse tipo de atuação “é intolerável para o país”, considerou António Costa em conferência de imprensa de balanço dos três anos do Governo, no Porto, referindo-se à greve dos trabalhadores eventuais em curso no porto de Setúbal e à operação de embarque de automóveis produzidos na Autoeuropa.

“Há uma coisa que não podemos ignorar: é que no Porto de Setúbal existe um sindicato que, felizmente, não está disseminado em muitos outros portos e que é uma fortíssima condicionante ao seu bom funcionamento. Felizmente foi possível assegurar condições para que se iniciasse a operação, que está a funcionar bem”, disse, manifestando o seu desejo de que a normalidade seja retomada tão cedo quanto possível.

No que diz respeito às relações laborais, António Costa recuperou as palavras da ministra do Mar de que “nada justifica a desproporção que existe no porto de Setúbal relativamente a outros entre o número de contratados efetivos e eventuais”, mas recordou que “estão abertos concursos para a contratação de pessoal efetivo”.

“Tenho muita dificuldade em compreender por que é que alguns dos eventuais que estão em greve exigindo ser efetivos não concorrem e não respondem a essas ofertas de emprego para serem efetivos”, acrescentou.

O primeiro-ministro salientou a “grande importância” do porto de Setúbal por ser “dos poucos que têm instalações adequadas para a exportação de veículos e pela proximidade que tem à maior unidade industrial de produção automóvel que existe em Portugal, a Autoeuropa, que tem uma importância enorme para a economia portuguesa”. “Assegurar o bom funcionamento do porto de Setúbal é absolutamente essencial”, sublinhou.