Combustível

Macron sobre atos de violência: “Eles não querem mudanças, querem o caos”

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Há 75 mil pessoas a manifestar-se em toda a França: 5500 estão em Paris. Entre os feridos, estão 17 polícias. Um manifestante terá roubado uma arma fogo de um carro da polícia.

AFP/Getty Images

O protesto dos coletes amarelos voltou este sábado às ruas de Paris e tem estado a provocar confrontos com a polícia. Os manifestantes — que às 15h00 eram 5500— começaram a atirar pedras aos elementos do enorme dispositivo policial que foi preparado para acompanhar a manifestação. No total, houve 287 detenções e o número de feridos continua a subir. Para já, segundo informações divulgadas pela polícia francesa, contabilizam-se 110 feridos (17 deles são polícias). E o presidente francês Emmanuel Macron já prometeu levar a tribunal os responsáveis pela violência e destruição deste sábado.

Os manifestantes têm estado a partir montras e carros da polícia e alguns tentaram romper uma das barreiras de segurança que estavam montadas junto ao Arco do Triunfo. A polícia tem estado a usar gás lacrimogéneo e canhões de água para tentar dispersar a multidão. De acordo com o jornal Le Figaro, um manifestante terá roubado uma arma fogo de um carro da polícia. Segundo a mesma fonte, essa arma será um G36.

Desde as 06h00 locais (05h00 em Lisboa) que a avenida parisiense está fechada ao tráfego e sujeita a uma vigilância policial apertada. Duas pessoas foram presas por transportar armas proibidas, segundo uma fonte policial. Depois de serem dispersos da praça do Arco do Triunfo, que ainda estava aberta ao tráfego, os manifestantes, alguns encapuzados e mascarados, recuaram para as avenidas adjacentes. Numa delas, a avenida Mac-Mahon, os latões de lixo que foram derrubados e incendiados provocaram um pequeno incêndio no meio da estrada.

Os protestos deste sábado são uma repetição dos incidentes da semana passada: a 24 de novembro, 130 pessoas acabaram detidas e os confrontos provocaram, pelo menos, 24 feridos. O movimento de “coletes amarelos” nasceu espontaneamente num sinal de protesto contra a taxação de combustíveis em França.

Emmanuel Macron: “Vou respeitar sempre os protestos, mas nunca aceitarei a violência”

O presidente francês que, até às 20h00 (em Paris) não se tinha pronunciado sobre os protestos, defendeu que “o que aconteceu hoje em Paris não tem nada a ver com a expressão pacífica de uma raiva legítima” e que “nada justifica” a violência e a destruição que aconteceu ao longo deste sábado. “Nada justifica que as forças da ordem sejam atacadas, que as lojas sejam saqueadas, que os transeuntes ou os jornalistas sejam ameaçados, que o Arco do Triunfo esteja contaminado”, disse. As declarações foram proferidas num discurso à margem da cimeira G20, na Argentina, onde se encontra.

“Os responsáveis por esta violência não querem mudanças, não querem melhorias, querem o caos”, disse Emmanuel Macron, acrescentando que esses responsáveis “serão identificados e responsabilizados em tribunal”. O presidente francês, que publicou vários tweets com o discurso, anunciou que convocou uma reunião com vários ministros. “Vou respeitar sempre os protestos, ouvirei sempre a oposição mas nunca aceitarei a violência”, escreveu ainda.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, decidiu anular a sua viagem à Polónia para a cimeira sobre o clima COP 24, devido aos desacatos violentos. Já o ministro francês do Interior, Christophe Castaner, denunciou uma “estratégia de profissionais da desordem, de profissionais do caso”, em declarações à TF1.

Reações do Governo

Entretanto, o ministro do Interior Christophe Castaner notificou através da sua conta oficial de Twitter que entre os 1700 manifestantes existem “1500 perturbadores” e “200 protestantes pacíficos” concentrados na zona dos Champs-Élysées e do Arco do Triunfo.

Benjamin Griveaux, deputado francês associado ao En Marche! de Emmanuel Macron e um dos principais aliados políticos do presidente afirmou que o Governo “está aberto ao diálogo”. Em declaração oficial ao canal LCI, o representante da governação afirmou: “Estaremos abertos ao diálogo com aqueles que, sinceramente, estão prontos para esse diálogo”. “Estamos interessados ​​em encontrar soluções concretas para as pessoas que não conseguem fazer face às despesas.”, afirmou ainda.

Em relação à consulta de três meses anunciada esta semana por Macron, Griveaux disse que “primeiro” têm “de ouvir pedidos muito diferentes, dentro dos próprios coletes amarelos”. “Decidimos tratá-los no âmbito destas conferências territoriais”, acrescentou ainda.

Benjamin acaba por reforçar a posição do Governo: “Veja o estado em que está o país, francamente, precisamos manter o rumo”, disse na BFMTV como forma de ressalvar as medidas já tomadas nos últimos dias.

As reações de membros do Governo face aos protestos desta manhã continuam a surgir. Desta vez foi a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, que disse ao canal televisivo LCI que este tipo de protestos “descredibiliza uma luta legítima”. “É normal haver protestos, eles são um direito absoluto, mas nada justifica essa violência, achamos que alguns realmente vieram só para poderem lutar”, comentou ainda Buzyn.

“Há um desejo de rutura violenta e isso desacredita uma luta legítima que foi expressa por muitos ‘coletes amarelos’ face os seus difíceis últimos meses”, acrescentou.

Édouard Philippe, o primeiro-ministro francês, acaba de anunciar que cancelou a viagem que tinha programada para este sábado e  irá para o quartel-general da polícia. “Diante dos incidentes em curso em Paris, o primeiro-ministro decidiu concentrar-se na gestão da situação e estará na sede da polícia às 12h”, avisou o Hôtel de Matignon (residência oficial do governante) em comunicado oficial.Enquanto isso não acontece, os manifestantes continuam instalados na zona do Arco do Triunfo onde já cantaram a Marselhesa e graffitaram frases de ordem como “Les gilets jaunes triompheront”  (“Os coletes amarelos triunfarão”).

Tem circulado a informação (ainda por confirmar) de que parte dos manifestantes podem estar envolvidos quer com a extrema direita, quer com a extrema esquerda. Verdade ou não, Marine Le Pen, a polémica líder da Frente Nacional, já utilizou a sua conta de Twitter oficial para felicitar os “coletes amarelos” e a forma como “protegeram o túmulo do soldado desconhecido” contra “os bandidos”.

A dirigente do partido conotado com a ala mais extremada da direita disse ainda: “Vocês são o povo de França em pé contra a escória!”

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