Ordem dos Enfermeiros

Enfermeiros com sarna no hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, tiveram de ir trabalhar

O hospital garante que "tem atuado em conformidade com as normas e orientações do serviço de saúde ocupacional e do serviço de dermatolgoia". Há, pelo menos, 11 enfermeiros infetados.

O surto de sarna no São Francisco Xavier foi confirmado há mais de uma semana pela diretora-geral da Saúde

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A Ordem dos Enfermeiros (OE) denunciou esta quarta-feira que há profissionais infetados com sarna no hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, a quem foi dito para continuar a trabalhar, uma situação que a bastonária considerou inadmissível e muito preocupante.

Contactado pela agência Lusa, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, que integra o S. Francisco Xavier, indicou em resposta escrita que “tem atuado em conformidade com as normas e orientações do serviço de saúde ocupacional e do serviço de dermatologia”, estando a situação “adequadamente controlada”. O surto de sarna (escabiose), doença muito contagiosa, no hospital S. Francisco Xavier, que foi conhecido há mais de uma semana, infetou pelo menos 11 enfermeiros, segundo a bastonária da OE, Ana Rita Cavaco.

A informação que temos da parte dos enfermeiros e que nos preocupa muito é que receberam indicação da saúde ocupacional [do hospital] e da dermatologista para continuarem a trabalhar, protegidos com medidas de barreira, como batas e luvas, para não contaminarem os doentes e com indicação para trocar o material de um doente para o outro”, relatou à agência Lusa a bastonária.

Ana Rita Cavaco diz que “não é admissível que se deixe um enfermeiro com escabiose a trabalhar”, lembrando que a doença é contagiosa e que provoca mau estar, com muita comichão associada. A bastonária diz ter já contactado a enfermeira-diretora do hospital, que lhe relatou que a saúde ocupacional “tinha dado indicação de que havia enfermeiros contaminados que podiam continuar a trabalhar, mas que a decisão seria também da enfermeira-diretora”.

“Nada mais errado. Essa decisão é de responsabilidade clínica da saúde ocupacional, não da enfermeira-diretora”, sublinhou a bastonária, considerando que este caso “só vem confirmar a falta de enfermeiros” no Serviço Nacional de Saúde. Ana Rita Cavaco entende que esta situação “não oferece segurança nem para os enfermeiros nem para os doentes” e relata que os doentes com escabiose nos hospitais costumam ser isolados para que o surto não se alastre.

Se isolamos os doentes com escabiose, porque razão se está a dizer aos enfermeiros para continuarem a trabalhar infetados com escabiose. É uma falta de respeito e dignidade dentro dos hospitais do SNS. Depois admiram-se que os enfermeiros estejam revoltados”, lamentou.

A sarna humana é uma doença infecciosa de pele que é contagiosa, é causada por um parasita que vive apenas na pele humana. Os sintomas de sarna surgem três ou quatro dias após o contágio e podem prolongar-se durante vários dias. Comichão, erupções e descamação estão entre os sintomas mais frequentes de sarna, que se propaga pelo contacto direto com pele infetada e, por vezes, pela partilha da mesma roupa.

O surto de sarna no São Francisco Xavier foi confirmado há mais de uma semana pela diretora-geral da Saúde, que indicou que o surto estava identificado e tratado.

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