Ministério do Ambiente

Ministro diz que oposição “fala do que não sabe” sobre redução de bovinos

O ministro do Ambiente e da Transição Energética explicou que o número de efetivos bovinos não tem aumentado. Criticou ainda a oposição por "falar do que não sabe".

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O ministro do Ambiente e da Transição Energética disse esta quinta-feira que a oposição, que pediu a sua presença no parlamento para abordar a redução da produção de bovinos entre 25 a 50% até 2050, “fala do que não sabe”.

“Fala do que não sabe e faz uma caricatura de um trabalho extraordinariamente importante”, afirmou João Pedro Matos Fernandes, questionado sobre o pedido do PSD, à margem de uma sessão sobre economia circular no Algarve, realizada em Faro.

“Tendo de reduzir as emissões, é no gado bovino que mais facilmente o conseguiremos fazer”, explicou o ministro, sobre a matéria.

O PSD e o CDS pediram na quarta-feira para ouvir no parlamento os ministros do Ambiente e da Agricultura sobre o denominado “roteiro para a neutralidade carbónica em 2050”, o qual defende a redução da produção de bovinos entre 25% a 50%.

O PSD citou a afirmação de João Pedro Matos Fernandes ao jornal Público de terça-feira, segundo a qual “o roteiro do Governo para a neutralidade carbónica em 2050 preconiza mudanças profundas, como a redução da produção de bovinos entre 25 a 50% e o aumento da capacidade de sumidouro da floresta em quatro megatoneladas de dióxido de carbono”, acusando o ministro de “enorme desconhecimento do país e mundo rural”.

O ministro do Ambiente da Transição Energética explicou quinta-feira que o número de efetivos bovinos não tem aumentado e que, na próxima década, até 2030, “não há qualquer expetativa sequer de redução desse mesmo quantificativo”.

Entre 2030 e 2050, prosseguiu, os cenários que estão a ser discutidos “preveem uma redução do número de bovinos que não há de ser muito diferente, se projetar a média dos últimos anos até essa mesma data”.

Matos Fernandes salientou que a mobilidade e a energia elétrica são “os dois principais setores em que mais se tem de fazer para atingir a neutralidade carbónica”, mas que “não pode ninguém ficar de fora”, incluindo o setor agrícola.

A agricultura “tem um papel fundamental na neutralidade”, frisou o governante, porque a redução do volume de emissões terá de ser compensada com o sumidouro de carbono, aumentando a área florestal e reduzindo a área ardida “para metade da média dos últimos anos” em Portugal.

“Estamos a trabalhar para 2050, onde vamos ter mais áreas de cereais, mais pomares e mais hortícolas”, disse Matos Fernandes, antecipando “uma revolução no setor” agrícola, seja no litoral ou no interior do país, com emprego “muito mais qualificado do que existe hoje”.

Para o ministro do Ambiente e da Transição Energética, “a neutralidade carbónica não se consegue com apoios”, mas “com o compromisso de todos os setores económicos e de todos os cidadãos em ter uma economia muito mais eletrificada, um padrão de mobilidade completamente diferente daquele que temos e uma produção elétrica completamente provinda de fontes renováveis”.

Em relação à ida ao parlamento, Matos Fernandes garantiu que “um membro do Governo não tem de se manifestar nem disposto nem indisposto a ir ao parlamento, quando é chamado, vai lá”.

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