Não há nada como uma boa playlist natalícia para nos colocar no estado de espírito festivo. Porque as músicas têm a capacidade de nos transportar, de nos fazer viajar e de mudar até a forma como nos sentimos. E elas já andam a tocar em todo o lado: nas lojas, nas ruas, na rádio, na televisão… Onde é que falta? Na sua casa.

E há factos curiosos por trás das músicas que mais gostamos de ouvir nesta época e como é que chegaram até aos dias de hoje. Algumas nem sequer foram músicas de Natal na altura em que foram criadas. Sabia que a “Jingle Bells”, além de não ter tido sucesso, era uma música de celebração do Dia de Ação de Graças? Foram precisas várias gerações para a música se tornar um clássico. E a “Let it Snow!” foi escrita por dois judeus e não menciona nem uma única vez a palavra Natal porque… não era suposto ser natalícia.

Reunimos as melhores 20 músicas de Natal para criar a sua playlist e alguns segredos e curiosidades sobre elas. Não servem para nada em especial, é certo, mas pode usá-las para quebrar o gelo quando se sentar ao lado daquele tio que só vê nesta altura e a quem nunca sabe muito bem o que dizer.

É uma das mais antigas músicas de Natal e data de 1500, numa altura em que os pobres iam até à casa dos ricos e pediam doações enquanto cantavam cantigas folclóricas da época. É por isso que a letra é meio divertida e diz “agora traga-me um pouco de pudim, não vamos embora até nos darem algum”. Com o passar dos séculos tornou-se simplesmente um clássico.

Além de ter sido uma música escrita para o Dia de Ação de Graças, foi também a primeira a tocar do espaço. Nove dias antes do Natal de 1965, os dois astronautas a bordo da nave Gemini 6 reportaram que estavam a ver um objeto em órbita numa trajetória muito baixa e prestes a entrar na terra. Relataram ver um módulo em tons de vermelho com oito módulos mais pequenos à frente a conduzir. O tenso relato deste estranho objeto voador foi então quebrado quando os dois astronautas começaram a tocar Jingle Bells numa pequena harmónica, acompanhada por sinos que tinham levado para a viagem. Pode ouvir a divertida gravação aqui.

Foi escrita em 1994 pela cantora Mariah Carey e pelo compositor Walter Afanasieff em apenas 15 minutos em pleno mês de Agosto e, curiosamente, Carey não a queria gravar mas tornou-se o seu maior sucesso internacional, com vendas superiores a 14 milhões de cópias e, em 2017, já tinha rendido mais de 67 milhões de euros a Carey e Afanasieff em royalties. Atualmente é a música de Natal mais popular no Spotify.

É provavelmente a primeira música que lhe vem à cabeça quando pensa no Natal e tornou-se um clássico em português. A música foi composta pelo maestro César Batalha em 1980 para o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras e tornou-se um hino sem precedentes. Nos anos 90, Portugal parava para ver o “coro do a todos um bom natal” a abrir o Natal dos Hospitais.

É a música mais improvável de Natal, uma vez que não fala de sinos ou presentes mas sim de um coração partido. Mas há quem diga que é este o segredo do seu sucesso: a época do Natal pode ser miserável para muitas pessoas. Facto: quando George Michael a escreveu, não era suposto ser uma música natalícia. Mas tornou-se o single mais vendido no Reino Unido, embora, curiosamente, nunca tenha chegado a número um. E na gravação do vídeo foi a última vez que Michael apareceu sem barba.

Esta música foi a razão para a “Last Christmas” não ter chegado a número um. Depois de ver um documentário sobre a fome na Etiópia, Bob Geldof teve a ideia de fazer um single solidário. Escreveu a letra e Midge Ure (da banda Ultravox) compôs e produziu a música. Muitos artistas juntaram-se para gravar: Paul Young, Boy George, Bono, Sting, George Michael, David Bowie, Phil Collins… embora nem todos se dessem bem uns com os outros. Grande parte da música foi gravada num domingo de novembro em 1984 e o resto já se sabe. Chegou aos tops esse Natal.

Este hino foi escrito para o álbum de Natal do famoso cantor Andy Williams em 1963. No entanto, acabou por não ser lançado como single: a editora optou por usar o cover de “White Christmas” (falamos dela a seguir) para promover o álbum. Ironicamente, esta música tornou-se um sucesso explosivo e a música ganhou cada vez mais popularidade ao longo dos anos. Williams gravou mais sete álbuns de Natal e esta música entrou em todos.

É uma das músicas de Natal mais usada em filmes e anúncios mas foi escrita como uma paródia, dado que fazia referência a outras músicas populares da época. Foi lançada dois dias antes do Natal em 1957 pela voz do então bem-sucedido cantor country Bobby Helms. A música voltou a ser relançada em 1958 e em 1960 e acabou por pegar. Embora já tenha sido gravada por centenas de artistas até aos dias de hoje, a versão de Helms tornou-se um clássico.

Depois de anos a promover a paz, em 1969 John Lennon e Yoko Ono colocaram cartazes nas principais cidades do mundo que diziam “War is Over! (if you want it)”. Dois anos depois, este slogan tornou-se a base da música que escreveram num quarto de hotel em Nova Iorque numa noite de outubro. Na manhã seguinte gravaram-na e o coro Harlem Community Choir foi levado até ao estúdio para cantarem o refrão. A música foi lançada esse Natal nos Estados Unidos mas não teve muito sucesso. No ano seguinte foi lançada no Reino Unido, onde correu melhor. Após a morte de Lennon ganhou sucesso à escala global. Em entrevista, Lennon disse que queria escrever uma música de Natal com uma mensagem anti-guerra e porque estava farto de ouvir a “White Christmas”.

É das músicas com mais factos curiosos. Primeiro foi escrita pelo compositor judeu Irvin Berlin para um musical da Broadway que acabou por nunca ser produzido. Mas foi depois repescada para o filme “Holiday Inn” com Bing Crosby. A música teve a sua primeira aparição num programa de televisão no dia de Natal em 1941 com Crosby a cantar. As primeiras semanas de vendas desapontaram de tão fracas que foram mas subitamente a música tornou-se um sucesso e, até hoje, é o single mais vendido de todos os tempos (mais de 50 milhões de cópias). Muitos artistas gravaram covers desta música mas Irving odiou um especial – o de Elvis Presley – ao ponto de ter tentado que as rádios não o tocassem.

Foi escrita pelo letrista Sammy Cahn e a compositora da Broadway Jule Styne em 1945 e nunca teve o fim de ser uma música de Natal. Era suposto ser uma balada sobre tirar o melhor partido de um dia de neve, passando-o com a pessoa amada. E o mais curioso é que foi escrita no famoso café Hollywood and Vine no dia mais quente do ano quando os dois fugiram do calor da praia e se sentaram na sala fresca do café a escrever.

Hoje é das músicas mais conhecidas com Mariah Carey, Bruce Springsteen e Michael Bublé a terem dos covers mais bem sucedidos. Mas quando foi escrita, em 1932, ninguém a quis produzir por ser infantil. Em 1934, Fred Cots, um dos criadores da letra e que também escrevia para Eddie Cantor, pressionou-o para a cantar no seu programa de rádio. Cantor não quis mas foi convencido pela sua mulher que achou piada à música. Surprise, surprise: tornou-se um êxito instantâneo.

Foi lançada em 1943 como uma música para os soldados americanos que estavam a combater na Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte ganhou sucesso global ao entrar no filme “Meet Me In St. Louis” com Judy Garland que, por achar a letra demasiado sombria, mudou algumas das estrofes. Apesar das mudanças, acabou por ser uma música melancólica. Nos anos 50, Frank Sinatra quis gravá-la e o verso triste “Until then we’ll have to muddle through somehow” foi trocado por “Hang a shining star upon the highest bough” e esta é a versão que, desde então, é cantada até aos dias de hoje.

Um clássico dos filmes natalícios, é a música de Natal com mais covers no Estados Unidos e foi composta num dia de verão de 1946 pelo compositor Leroy Anderson e gravada por Arthur Fiedler e a Boston Pops Orchestra. A letra foi adicionada em 1950 por Mitchell Parish e foi aí que a música se tornou um êxito. As versões das The Ronettes e de Ella Fitzgerald tornaram-se clássicas.

A rena de nariz vermelho está bem presente no nosso imaginário mas a verdadeira história foi criada pelo copywriter Robert L. May para as lojas Montgomery Ward em 1939 como uma série de livros para colorir que as lojas queriam vender. Até 1946, foram vendidas cerca de 6 milhões de cópias, embora a escassez de papel durante a guerra. O Rudolph foi inspirado na infância de May como o menino mais baixo e desajeitado da turma. A sua história passou a música quando o cunhado de May, o compositor Johnny Marks, desenvolveu a sua letra e melodia e deu-a a gravar a Gene Autry em 1949, tendo-se tornado o segunda música de Natal mais vendida da história (a seguir a “White Christmas”). Nos anos 60 foi feito um especial de televisão com base na música e a história da rena Rudolph tornou-se o clássico que é hoje.

Esta foi uma das primeiras músicas de Natal a ter uma abordagem sexual e foi gravada pela atriz de cabaret Eartha Kitt depois da sobrinha do senador Jacob Javitz ter escrito, com Philip Springer, a letra na brincadeira. Nos anos 80, Kitt vendeu os seus direitos da música a Springer que, durante anos, tentou dá-la a gravar a outras artistas sem sucesso. Em 1987, Madonna gravou uma versão para o álbum solidário A Very Special Christmas que, embora não tenha dado nenhum dinheiro a Springer porque os royalties foram para caridade, trouxe nova popularidade à música até hoje.

Tem aquela melodia característica dos anos 60 e foi escrita por Johnny Marks, na altura autor de outros sucesso de Natal como o “Rudolph The Red Nosed Reindeer”. Mas, ao contrário das expectativas, não foi bem sucedida em 1958 quando foi lançada por Brenda Lee, nem no ano seguinte. Em 1960, o sucesso de Lee escalou e, nesse ano, voltaram a lançar a música e, dessa vez, o êxito pegou e acabou por se tornar a música mais conhecida da carreira de Brenda Lee. Factos curiosos: Lee tinha apenas 13 anos quando a gravou. Kelly Clarkson, Cyndi Lauper e Miley Cyrus também gravaram covers que tiveram algum sucesso.

Por cá, e porque estamos no revivalismo dos anos 90, esta tornou-se provavelmente uma das músicas mais conhecidas da carreira dos irmãos Rosado, embora a maioria do território português não saiba o que é a neve. Talvez tenha sido por isso que a música pegou e se tenha tornado um clássico que ainda hoje passa na rádio por esta altura e que toda gente gosta de cantar. Bem, pelo menos quem cresceu nos anos noventa.

Provavelmente não sabia mas esta música foi lançada em 1963 no dia em que o presidente John F. Kennedy foi assassinado, o que fadou o seu pouco sucesso, bem como do álbum inteiro de Darlene Love. Em 1986, o apresentador David Letterman viu Love atuar num musical e convidou-a para cantar no seu programa. Gostou tanto que, a partir de então, Love cantou esta música todos os natais no especial de natal de Letterman até 2014, quando o apresentador se retirou da televisão. Em entrevista, Love disse que nunca se fartou de a cantar porque só décadas depois de a ter gravado é que a música teve sucesso. A verdade é que se tornou um clássico que já entrou em muitos filmes e foi gravada por dezenas de artistas, de Jon Bon Jovi a Mariah Carey. E Cher também – e a própria Cher é uma das cantoras de fundo na música original

Esta é uma das músicas mais populares da noite de Natal, com versões em dezenas de línguas e considerada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. O nome original é “Stille Nacht” e foi escrita pelo padre Joseph Mohr em 1818 para a Missa do Galo desse ano da sua paróquia. Até hoje já foi gravada por muitos artistas como Elvis Presley, Frank Sinatra, Britney Spears ou Whitney Houston. Em Portugal, faz parte das músicas populares da época e o duo brasileiro Palavra Cantada gravou-a num álbum infantil popular no Spotify.

Aqui tem a playlist com todas estas músicas para ouvir em casa durante este mês, cantar, dançar em frente ao espelho ou na sala com as crianças. É Natal… ninguém leva a mal.