O Banco Central Europeu (BCE) confirmou esta quinta-feira que o seu programa de compra de dívida nos mercados, que começou em 2015, termina no fim de dezembro. Mas, como se esperava, para evitar qualquer reação negativa dos mercados o presidente do BCE deixou as taxas de juro inalteradas nos mínimos históricos atuais e não poupou esforços para, através da linguagem, garantir que a política monetária vai continuar disponível para suportar o crescimento económico.

Após a reunião de política monetária de quinta-feira, o BCE indicou em comunicado que a principal taxa de juro de refinanciamento se mantém em 0% (aquilo que os bancos pagam pela liquidez do BCE) e a taxa dos depósitos fica em -0,40% (aquilo que os bancos recebem ou, neste caso, pagam para depositar liquidez junto do BCE).

O BCE confirmou também que, como indicara em junho, o seu programa alargado de compra de ativos lançado em 2015 para estimular a economia cessa no fim do ano. O banco central deixa de comprar novos títulos de dívida dos países, mas vai, no entanto, renovar “durante um período prolongado” os títulos que cheguem ao fim da sua maturidade. Por outro lado, o BCE deixou a pista de que está a “refletir” sobre a possibilidade de fazer novas operações de refinanciamento com prazo ultra-longo, como já foi feito no passado, numa tentativa adicional de dar conforto aos mercados no momento em que se oficializa a retirada do programa de compras de dívida.

A intenção de Mario Draghi, presidente do BCE, foi sinalizar que irão manter-se as condições de financiamento favoráveis, para não comprometer a recuperação económica numa altura em que há mais riscos na conjuntura. O BCE reviu em baixa as previsões de crescimento na zona euro para 2018 e 2019 para 1,9% e 1,7%, respetivamente, uma décima abaixo do indicado há três meses.

Mario Draghi indicou que os riscos “estão globalmente equilibrados” mas estão a “mover-se no sentido negativo” devido a receios relacionados com a geopolítica, o protecionismo e as guerras comerciais.

O “homem mais perigoso da Europa” fora da corrida ao BCE. Portugal deve deitar foguetes?