A Marinha portuguesa recebeu algumas queixas de pais, sob anonimato, que denunciam práticas que ocorreram durante as praxes do primeiro ano na Escola Naval, nomeadamente “tortura de sono“, andar com “sacos na cabeça“, serem postos em “tanques de água noites a fio“, serem deixados “nus na parada” e colocados “sob duches de água fria a meio da noite“.

Ao Diário de Notícias, que revela as denúncias, o comandante Pereira da Fonseca contou que “não se concluiu haver qualquer indício de práticas contrárias” à conduta de regras estabelecidas na Marinha.

Vários pais têm-se já pronunciado nas redes sociais, manifestando o seu desagrado perante as situações a que os seus filhos estão expostos durante as praxes dos cadetes de 1º ano da Escola Naval. Alguns protestam através de comunicados, outros através de publicações nas redes sociais, embora todos apontem para a falta de segurança dos seus filhos:

Não quero chorar a morte do meu filho, como as mães dos [recrutas] comandos”, [que morreram no início do curso em setembro de 2016], “não quero passar pelo que passaram os pais” [referia-se à morte dos seis estudantes na praia do Meco, quando realizavam praxes em 2013], confessou uma mãe de um cadete, ao Diário de Notícias.

Também nas redes sociais, um pai publicou o seu testemunho no qual relata a situação pela qual o filho passou. “A praxe torna-se abusiva ao ponte que os alunos são privados de sono dormindo uma média de 6h por semana (…)”, afirma na publicação.

O porta-voz da Marinha avança que “de imediato foi iniciado um procedimento interno para averiguar sobre a veracidade dessas práticas. Das averiguações realizadas não se concluiu qualquer indício de práticas contrárias aos valores, aos regulamentos, à disciplina, à moral e à ética que rege a Escola Naval”.

Indicou ainda que “o comandante da EN, de forma preventiva, deu ainda orientações para restringir o contacto entre os alunos do 1.º ano e dos restantes anos ao estritamente necessário no quadro das atividades académicas ou desportivas normais”, de forma a prevenir quaisquer possíveis incidentes.

O Diário de Noticias conta que alguns oficiais da Marinha consideram o fator psicológico crucial na integração dos jovens cadetes na Escola Naval e que, embora algumas praxes mais duras já tenha sido proibidas, nem todos têm a resistência necessária para superar estes desafios.