Cerca de 100 trabalhadores da RTP e RDP Porto concentraram-se esta segunda-feira diante das instalações, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, em protesto contra os vínculos precários que subsistem naquela empresa pública.

Em declarações à margem da iniciativa que reuniu jornalistas e técnicos do quadro da empresa e precários numa ação de solidariedade, o membro da subcomissão de trabalhadores da RTP Porto Nélson Silva denunciou as insuficiências da empresa.

Reportando-se ao Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários da Administração Pública (PREVPAP), que permitiu a entrada de 130 jornalistas precários na RTP e na RDP, Nélson Silva vincou haver “mais 261 casos, entre os quais se incluem muitas necessidades permanentes” que receberam “parecer negativo do conselho de administração da RTP”.

As necessidades a que aludiu situam-se nas “áreas técnica da informação e dos programas de entretenimento e na produção e ainda nas rádios Antena 1 e 2”.

Vincando a “necessidade permanente de trabalhadores”, deu como exemplo a produção do último ‘Aqui Portugal’, programa de entretenimento da RTP, “feito por 15 trabalhadores dos quadros e por 40 contratados”.

“Não se pode dizer que a ‘Praça da Alegria’, os dois turnos de informação, a emissão contínua da rádio e as equipas de vídeo móvel não são necessidades permanentes. Esses trabalhadores, quer por vínculo de ‘outsourcing’ quer por esquemas de empresas, (…) quer por contratação direta da RTP, são necessidades permanentes”, disse Nélson Silva.

Explicando porque é a situação de precariedade “má para empresa”, o membro da subcomissão justificou com a “perda da passagem de conhecimento”. Referiu também a situação de colaboradores que “estão situação miserável, em que ganham 22 euros por dias, e ainda fazem descontos sobre isso”. Na área técnica, disse Nélson Silva, o número de precários “será entre os 25 e os 30”. Na produção de conteúdos “entre dez e 12 pessoas”, na rádio “estão um técnico e um jornalista” e na “inserção de carateres mais oito ou nove”.

Acusando o Governo de ser quem “criou este problema”, porque antes “os precários tinham trabalho em situação deprimente, mas por causa deste problema até esse trabalho estão a perder”, disse haver colaboradores “que trabalhavam 26 dias e passaram para apenas três”. “Desde 2008 nunca mais foi contratado um técnico pela RTP”, acusou.

Jorge Pinto, da área técnica, foi um dos um dos que recebeu parecer negativo do PREVPAP, tendo contado à Lusa que trabalha na empresa “há cerca de dez anos, numa média que varia entre os 24 e 26 dias por mês”. “Neste momento, trabalho apenas cinco ou seis dias, em ‘outsourcing’ contratado pela empresa ‘Green’(…) Nos últimos quatro anos fiz parte da equipa que assegurava o estúdio virtual das 17:00 à 01:00”, acrescentou.

A Lusa tentou obter uma reação do conselho de administração da RTP, mas até ao momento não foi possível.