Depois da saída conjunta de sete deputados, o Partido Trabalhista — Labour — perde mais uma deputada. Joan Ryan acusa o líder do partido britânico, Jeremy Corbyn, de “fazer jogos com o Brexit”

A deputada eleita pela região de Enfield Norte deixa o Partido Trabalhista após quatro décadas, com “terrível dificuldade”, mas promete continuar a representar os seus eleitores através do Grupo Independente que se formou com a saída de outros sete deputados entre os quais se encontram os ex-ministros sombra de Corbyn, Chuka Umunna, Luciana Berger e Chris Leslie.

Numa nota publicada no Twitter, Joan Ryan disse ter ficado “horrorizada, chocada e irritada” com o fracasso do Partido Trabalhista em combater o antissemitismo, acrescentando que “nenhum outro líder dos Trabalhistas teria permitido que esta vergonha acontecesse”, numa crítica dirigida a Jeremy Corbyn.

A deputada britânica vai ainda mais longe ao dizer que “Corbyn e o grupo estalinista que o rodeia” falharam em apresentar um plano alternativo ao do governo para uma saída do Reino Unido da União Europeia. Para Ryan, Corbyn preocupou-se em “expurgar os inimigos ideológicos”.

Joan Ryans vai integrar o Grupo Independente, que planeia promover o movimento junto da ala moderada do Partido Conservador e que tem como objetivo formar um novo partido “até ao final do ano”, segundo avançou Chuka Umunna, em várias entrevistas dadas nos últimos dias.

A deputada, que foi secretária de Estado do governo de Tony Blair — com a pasta da Imigração —, diz esperar ainda mais deserções do Partido Trabalhista. Este conjunto de saídas fez com que a direção do partido tivesse já aconselhado Jeremy Corbyn a fazer uma reflexão aprofundada e um debate interno sobre os motivos destas baixas.

O líder do Partido Trabalhista disse, em reação às primeiras saídas, que “lamentava”, mas que esperava que os membros do parlamento reconhecessem “que foram eleitos através de um manifesto baseado no investimento no futuro, numa sociedade mais igualitária e mais justa”.

O Labour apresentou ainda uma proposta no parlamento para que os deputados que mudem de família política a meio do mandato sejam sujeitos a eleições intercalares. A medida defende que “os eleitores não sejam obrigados a esperar vários anos para se exprimirem sobre os deputados que possam não estar a defender os seus interesses”, disse Jon Trickett, ministro sombra de Corbyn, numa nota difundida ainda antes da saída de Joan Ryan.