Já se sabia que o cantor R. Kelly, acusado de dez crimes de abuso sexual agravado alegadamente cometidos contra uma mulher e pelo menos três raparigas menores de idade, tinha uma fiança de perto de um milhão de dólares (cerca de 880 mil euros) e poderia sair em liberdade nesta fase do processo caso pagasse 100 mil dólares (cerca de 88 mil euros). O valor foi pago e o cantor que tem atualmente 52 anos saiu em liberdade e dirigiu-se para casa, ao final do dia desta segunda-feira, 25 de fevereiro. As paragens que fez pelo caminho, contudo, motivaram a atenção da imprensa norte-americana.

O primeiro sítio em que R. Kelly parou ,no percurso da prisão de Cook County em que esteve detido até sua casa, foi num McDonald’s situado no bairro River North, em Chicago, segundo a revista musical norte-americana Spin.

Não se trata de um McDonald’s qualquer: terá sido nesse restaurante que o cantor conheceu em 1998 uma rapariga menor, então estudante do ensino secundário, na noite do seu baile de finalistas. R. Kelly tinha então 31 anos e os dois terão iniciado uma relação. Quatro anos depois, a jovem interpôs uma ação legal acusando o cantor de a ter engravidado e forçado a abortar. O processo foi resolvido com um acordo extrajudicial, mas o McDonald’s do bairro de River North de Chicago era alegadamente um ponto de paragem habitual para R. Kelly. O engenheiro de som do seu estúdio, James Lee, afirmou num documentário recente da BBC (“R Kelly: Sex, Girls and Videotapes”) que era ali que R. Kelly habitualmente ia conhecer raparigas.

Ele ia ocasionalmente a esse McDonald’s e voltava para o estúdio com uma rapariga ou duas. Ir ao McDonald’s engatar miúdas é o que faz um miúdo de 17 anos”, afirmou o engenheiro de som do estúdio em que o cantor gravava, citado pela Spin.

A paragem seguinte de R. Kelly na sua ida para casa também motiva suspeitas, de acordo com relatos da jornalista Nader Issa, do Chicago Sun-Times, que seguiu o cantor no percurso. O autor de “I Believe I Can Fly” visitou um bar de charutos no bairro de Gold Coast. Coincidentemente, Joycelyn Savage e Azriel Clary, duas mulheres que vivem atualmente com R. Kelly e cujos pais garantem estar a ser mantidas contra sua vontade, sem contacto com família e amigos — foram vistas pela jornalista a entrar no bar depois do cantor, refere a Spin.

Na sequência das acusações de que R. Kelly foi alvo e da estreia do documentário “Surviving R. Kelly”, a própria filha do cantor, Buku Abi, revelou que não falava com o pai há anos tal como “os seus irmãos” e chamou-lhe “um monstro”, afirmando estar a “rezar” pelas “famílias e mulheres que foram afetadas pelas ações” do pai.