Ministério da Agricultura

Ministro da Agricultura admite estar preocupado com “espetro de seca”

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Das 39 albufeiras monitorizadas, "em 28 barragens vai ser possível ter uma campanha completamente normal" e nas outras 11 haverá "algumas limitações", mas nada que "comprometa o ano agrícola".

A situação atual, comparada com "aquela que ocorria exatamente há um ano atrás, é substancialmente melhor", referiu o ministro Luís Capoulas Santos

EDUARDO COSTA/LUSA

O ministro da Agricultura manifestou-se esta quarta-feira preocupado com o “espetro de seca” em Portugal, mas admitiu que não deverá comprometer o ano agrícola, podendo existir apenas “algumas limitações” no regadio em 11 barragens, no sul.

Das 39 albufeiras monitorizadas pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), “em 28 barragens vai ser possível ter uma campanha completamente normal”, disse o ministro Luís Capoulas Santos, em Beja.

Em outras 11, provavelmente, haverá algumas limitações, mas nada que comprometa o ano agrícola e que nos retire do trajeto de sucesso que temos vindo a trilhar” e que fez com que 2018 e 2017 tivessem sido “dois anos fantásticos” no setor da agricultura nacional, explicou o ministro.

Questionado pela agência Lusa, após uma reunião do Conselho para o Acompanhamento do Regadio de Alqueva (CAR Alqueva), Capoulas Santos esclareceu que estas 11 barragens, cujos aproveitamentos hidroagrícolas podem vir a ter essas limitações, caso a situação de seca se agrave, situam-se “sobretudo no sul” do país.

“O Monte da Rocha [no concelho de Ourique, no distrito de Beja] é sempre o problema mais complicado”, mas, “mesmo assim, está melhor, neste momento, do que estava no ano passado”, ainda que seja “aquela que tem a capacidade mais baixa”, referiu.

Segundo o ministro, neste lote estão integradas “várias outras” albufeiras nas quais, “se não chover mais a partir de agora, o que também não é crível que aconteça”, a ocupação normal de culturas agrícolas “pode andar à volta dos 60 a 70%”.

Neste momento, “cerca de 60% do território” nacional encontra-se em “seca fraca“, enquanto “cerca de 34% está em seca moderada” e os restantes “6% estão em situação normal”, adiantou o governante aos jornalistas.

uma situação que nos preocupa, uma vez que a precipitação, até ao momento, corresponde a 77% do que seria normal”, referiu.

Contudo, o inverno ainda não terminou e “falta vir a primavera” que, em Portugal, “tem obrigação de ser chuvosa”, lembrou Capoulas Santos.

Estamos a preparar a campanha do próximo ano [a campanha de rega que começa já na primavera] por forma a que possamos ter um ano [agrícola] com tanta normalidade quanto possível, apesar do espetro de seca que existe neste momento”, vincou o governante.

A situação atual, comparada com “aquela que ocorria exatamente há um ano atrás, é substancialmente melhor”, considerou.

O que suscita “preocupação” é que, embora Portugal tenha tido “a sorte de ter um mês de março anormalmente chuvoso”, em 2018, “é duvidoso” que as chuvadas de primavera deste ano “venham na mesma quantidade” das registadas no ano passado, disse.

Na reunião desta quarta-feira com o CAR Alqueva, o ministro apresentou o ponto de situação das disponibilidades hídricas aos beneficiários dos perímetros de rega do empreendimento e aos representantes dos regantes do sul do país.

No que respeita ao Alqueva, a capacidade disponível vai permitir “manter uma campanha agrícola normal”, mesmo que exista “alguma restrição num ou noutro perímetro onde a situação possa ser mais complicada”, afiançou Capoulas Santos.

Apesar disso, “está a ser preparado” um plano de contingência para a área do Alqueva “para o que possa vir a acontecer”, ou seja, caso a situação de seca se agrave.

“Foram ouvidas algumas propostas, algumas sugestões e, naturalmente, iremos analisar e ponderar e decidir, se for caso disso, no momento próprio”, garantiu.

A Comissão Permanente da Seca, que envolve diversos ministérios, vai reunir-se em 20 de março (no Ministério da Agricultura), adiantou ainda Capoulas Santos, que admitiu também, no caso da agricultura de sequeiro, “adotar as medidas” que forem “convenientes”, caso se agrave a situação de seca.

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