A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou esta sexta-feira que o Governo “tem uma vontade séria de negociar” com os enfermeiros e, por isso, espera que a nova greve anunciada para abril não aconteça.

Aquilo que foi referido foi uma intenção que estava associada à circunstância de o Governo não demonstrar uma vontade séria de negociar, como o Governo tem uma vontade séria de negociar, espero que a greve não aconteça”, afirmou, durante uma deslocação a Vinhais, no distrito de Bragança.

Questionada pelos jornalistas sobre os novos protestos anunciados pelos enfermeiros, no momento em que decorrem negociações entre as estruturas representativas da classe e o Governo, a ministra reiterou que “se a condição da greve é uma vontade séria da parte do Governo, os portugueses já perceberam que o Governo tem uma vontade séria, não pode é fazer aquilo que está para além das suas possibilidades“.

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) anunciou na quinta-feira a realização em abril de uma “greve geral, prolongada e muito dura”, depois de uma reunião com o Governo que marca o início de um período de negociações.

O presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, disse no final da reunião que a greve é para que “de uma vez por todas se entenda que os enfermeiros querem negociar, mas querem negociações sérias”.

Em Vinhais, Marta Temido lembrou também esta sexta-feira  que “neste processo de discussão desta carreira de enfermagem, independentemente daquilo que vem já de trabalho realizado pelo anterior titular da pasta” também ela já teve “variadíssimas reuniões com as estruturas sindicais”, com a tutela a procurar uma “aproximação às reivindicações da profissão”.

A reivindicação principal era a criação da categoria de especialista, isso está garantido, está publicado em boletim do trabalho e emprego, agora o que estamos a receber nesta fase de consulta pública são as opiniões que os vários atores nos queiram fazer chegar sobre o diploma que foi aprovado em Conselho de Ministros”, sustentou.

O processo de auscultação pública terminará em 28 de março e no final o Governo analisará os contributos que lhe fizerem chegar e, segundo a ministra, tentará “obviamente, se houver espaço para isso, acolhê-los”.

A ministra referiu ainda que estão em curso também, e continuarão a ser mantidas, “outras negociações sobre outros temas que não estritamente a carreira”, nomeadamente, a avaliação do desempenho, a questão da organização do tempo de trabalho”.

Sobre a manifestação dos enfermeiros desta sexta-feira, a governante disse não ter “nenhum comentário a essa forma de expressão”.

“Naturalmente que respeitamos todas as formas de protesto quando elas respeitam os cânones que estão estabelecidos para aquilo que é a expressão enquadrada de manifestações e, portanto, nada a referir quanto isso”, declarou.

A ministra sublinhou que o que mais gostaria de assinalar hoje é que é o Dia Internacional da Mulher, além da circunstância de estar em Vinhais a inaugurar uma Unidade de Cuidados Continuados.

Para Marta Temido, estes equipamentos mostram que o país “está a avançar” e contrariam “as vozes que dizem que não se passa nada, que não se faz nada, que estamos pior”.