No Salão de Genebra, nem só de veículos vive a Morgan, uma das marcas britânicas mais carismáticas, aliando espírito desportivo, aspecto rétro e uma produção integralmente realizada à mão. Fabricando em média 700 veículos por ano, o construtor britânico gerou em 2018 uma receita de 39,4 milhões de libras, um valor que chamou a atenção do fundo de investimento italiano Investindustrial, que adquiriu a maioria do capital da empresa, permitindo contudo que a família Morgan continue a representar a empresa que criou em 1910. E não é a primeira vez que este investidor se aventura no universo dos veículos, tendo realizado uma excelente operação na Ducati, quando vendeu a sua quota à Audi por 1,1 mil milhões de euros – praticamente o mesmo valor que investiu na compra de 37,5% da Aston Martin.

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Além de “mostrar” o novo dono, a Morgan revelou o seu novo modelo, o primeiro concebido integralmente de raiz em muitos anos. Denominado Plus Six, o mais recente produto da marca inglesa assume-se como um elegante roadster, com uma frente longa e um habitáculo para dois, muito chegado atrás. A estética continua fiel ao que a marca nos tem habituado, com forte tónica no ar rétro, e até o método de construção se manteve inalterado, com o Plus Six a exibir uma plataforma em aço, alumínio e madeira. É mesmo o único veículo moderno a recorrer a esta solução em alguns pontos do chassi, segundo o fabricante, “com muito prazer e orgulho” em utilizar uma matéria tão tradicional e old school, pelo menos em termos de indústria automóvel.

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Se o chassi é novo, o motor não lhe fica atrás, com a Morgan a recorrer à BMW para o conjunto motor/caixa de velocidades. Montando a mesma unidade motriz de seis cilindros em linha que a BMW fornece igualmente à Toyota, para o novo Supra, o Morgan Plus Six passa a usufruir dos serviços de um motor mais pequeno e mais leve, mas não menos pojante, do que o clássico V8 montado no Plus 8. Com 3,0 litros de cilindrada e soprado por dois turbocompressores, o motor do Morgan Plus Six fornece 340 cv e 500 Nm de binário, força que supera a que o V8 conseguia garantir.

A potência do novo Morgan é transmitida às rodas traseiras através de uma caixa automática de oito velocidades, desenvolvida pela ZF – estando a ser preparada uma caixa manual –, o que face ao reduzido peso do modelo (apenas 1.075 kg), permite acelerações verdadeiramente emocionantes, a começar pelos 4,2 segundos que o Plus Six necessita para ir de 0 a 100 km/h. A velocidade máxima está nos 267 km/h.

O novo modelo irá chegar em breve a Portugal, com um preço que promete ser uma agradável surpresa face ao Plus 8, com potência similar e capacidade de aceleração inferior, pois fica-se pelos 4,5 segundos de 0-100 km/h. Contudo, os melhores consumos do Plus Six (7,4 l/100 km) e as suas inferiores emissões de CO2 (cerca de 170g/km contra 282g do Plus 8) justificam a enorme vantagem em termos de preço, antecipando o importador para o nosso país um valor na casa dos 90.000€, longe pois dos 150.000€ do Plus 8.