Língua Portuguesa

Instituto Camões regista aumento do número de alunos de português em Goa

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Número de pessoas que aprendem português em Goa tem aumentado, segundo o instituto Camões. Há uma nova geração de fadistas e guitarristas que se afirmam como embaixadores da cultura portuguesa.

Autor
  • Agência Lusa

O número de pessoas que aprendem português em Goa tem aumentado, segundo o instituto Camões, num território onde há uma nova geração de fadistas e guitarristas que se afirmam como embaixadores locais da cultura portuguesa.

“No ensino superior, devido ao crescimento do número de programas de Estudos Portugueses, nunca estivemos tão bem em termos de discentes inscritos”, destaca o leitor de Português do Camões na Universidade de Goa, Delfim Correia da Silva. No entanto, lamenta, “continuamos a sentir algumas dificuldades em atrair alunos do 12.º ano e depois do colégio, onde fazem a sua graduação para o mestrado em português”.

Contrariando a ideia de que a língua portuguesa “está a morrer em Goa”, o responsável recorda que “já ouvia isso em 2008”, quando chegou a Pangim, após cinco anos a exercer idênticas funções na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Deli, capital da Índia, de 1996 a 2001. “Há cada vez mais pessoas, jovens e menos jovens, que nos procuram para aprender o português”, adianta à agência Lusa.

No ensino secundário, “o número de alunos quase triplicou”, entre 1993 e 2003, e “verificou-se, até muito recentemente, um progressivo e ténue aumento”. “Temos na Universidade 300 alunos, distribuídos pelos diversos cursos que oferecemos no Departamento de Português”, refere, enquanto estima que cerca de 400 pessoas frequentem os cursos livres em instituições particulares.

No total, há “seguramente mais de 2.000 alunos anualmente a estudar a língua de Camões, Orlando da Costa, Machado de Assis, Craveirinha, Pepetela e tantos outros ilustres príncipes da lusofonia”, acentua Delfim Silva. Através do fado, tem aumentado o número de goeses que se aproximam de Portugal, bem como da língua e da cultura.

Sónia Shirsat, de 38 anos, que aprendeu português depois de interpretar o primeiro fado, em 2003, diz que as cordas da guitarra “trinam no coração de quem o canta e de quem o ouve”. “Não é necessário que o cantor saiba a língua, basta que sinta a música”, adianta à Lusa a fadista, que já foi acompanhada em concertos por António Chainho, além de ter participado no álbum do guitarrista português “LisGoa”.

Nádia Rebelo, por sua vez, aprecia o modo como o fado “ultrapassa a barreira linguística e entra no campo emocional”, criando “empatia com vários países de maneiras diferentes”. “Em Goa, o fado é muito apreciado”, confirma a jovem, de 22 anos, que começou a cantar quando tinha apenas 11. Tem interpretado fados de artistas portugueses, mas está agora “a trabalhar num original com um tema de Goa, para mostrar a influência portuguesa” na antiga colónia, além do “estilo de vida indo-português”.

“O lindo som da guitarra é o que me faz sentir mais calma e capaz de enfrentar medos no palco”, admite Nádia.

Nascido em Goa, há 45 anos, Orlando de Noronha aprendeu a tocar guitarra em Coimbra, em 1997, com uma bolsa da Fundação Oriente. Teve como professor Miguel Drago, “que tocava à maneira coimbrã”. Acompanha geralmente Sónia Shirsat. Em 2006, tocou bandolim num concerto de Kátia Guerreiro, em Goa, e acompanhou Carlos do Carmo ao violino, em Portugal, em 2017.

Orlando, que também se dedica à produção de azulejos, pretende “ensinar guitarra a todos quantos”, no território, tenham essa vontade para que o fado fique vivo em Goa. Óscar, por sua vez, dinamiza a editora Third Millennium, que já publicou 23 obras: 13 em inglês, nove em português e uma em concani, a língua oficial do estado.

“Existem pouquíssimas pessoas com o devido contacto com a língua portuguesa. As livrarias em Goa vendem livros em português, mas são de autores estrangeiros de expressão portuguesa”, esclarece. Em dezembro, editou dois livros em português no âmbito do Festival Literário de Goa. Uma delas é uma monografia sobre o monsenhor Castilho de Noronha, seu tio-avô, deputado da Assembleia Nacional, em Lisboa, durante o Estado Novo. O outro, intitulado “Goa tal como a conheci”, é uma homenagem póstuma ao autor, pai de Óscar e Orlando, Fernando de Noronha, falecido em 2011.

“Foi ele que me ensinou a língua de Camões. Como nasci depois da integração de Goa na União Indiana, não tinha possibilidade de a aprender na escola”, explica. Óscar de Noronha admite que “talvez seja o primeiro goês da geração do pós-1961 a publicar um livro” na língua do escritor Orlando da Costa, pai do primeiro-ministro de Portugal, António Costa.

Ele realiza também um programa mensal de rádio denominado “Renascença”, dedicado à cultura indo-portuguesa, num estado onde se estima que existam 10 mil falantes de Português, numa população próxima dos dois milhões de habitantes. “A Fundação Oriente tem contribuído muito para a renovação do interesse do povo pela cultura portuguesa”, afirma, indicando que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na capital, é a única em Goa com missa em Português.

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