O líder da concelhia do CDS em Ovar e deputado na Assembleia Municipal exige explicações a Salvador Malheiro na sequência da notícia publicada pelo Observador, na qual se dá conta de que o presidente da autarquia e vice-presidente do PSD viajou para França em 2016 a convite de um construtor a quem a autarquia adjudicou 13 obras públicas, no valor de 3,9 milhões de euros.

Numa publicação na sua página do Facebook, Fernando Camelo de Almeida escreveu que “esta notícia revela factos extremamente graves e que carecem do devido esclarecimento por parte do presidente da Câmara Municipal de Ovar“. “É este o panorama político em Ovar e que nos vai levando por um caminho sem rumo e até perigoso”, avisou aquele dirigente do CDS.

O presidente da autarquia de Ovar tinha inicialmente afirmado que o convite para ir assistir ao jogo de Portugal contra o País de Gales no Euro 2016, em Lyon, havia partido da Olivedesportos, de Joaquim Oliveira, tendo integrado um grupo no qual se incluíam vários deputados — que acabariam constituídos arguidos por alegado recebimento indevido de vantagem.

O Observador revelou agora que o convite da Olivedesportos era na realidade endereçado a Carlos Pinho, principal sócio da sociedade Construções Carlos Pinho — a tal construtora a que a autarquia adjudicou diversas obras. Porém, de acordo com documentação consultada pelo Observador, Pinho terá passado o convite, através do seu filho Joel, a Salvador Malheiro e à sua mulher.

Na lista dos integrantes do grupo que viajou naquele dia para a França, Salvador Malheiro e a sua mulher eram os únicos com uma observação à frente — “CONV. JOEL PINHO” —, indicando que o convite não tinha sido enviado diretamente pela Olivedesportos para Salvador Malheiro, mas sim através de Joel Pinho.

O dirigente do CDS em Ovar Fernando Camelo de Almeida, que é deputado municipal no município presidida por Malheiro, afirma que “não é aceitável que o presidente da Câmara tenha dito que as viagens foram oferecidas pela Olivedesportos e agora confrontado pela comunicação social, venha dizer que não sabe bem quem lhe ofereceu as viagens“.

“As suas respostas são de uma trapalhice incompreensível e não nos podemos conformar com a completa ausência de explicações”, acrescentou Camelo de Almeida. “Se as viagens foram realmente oferecidas por um construtor que fez contratos com a Câmara de Ovar no valor de quase 4 milhões de euros, estamos perante um caso grave que impõe uma investigação. Se não for verdade, urge explicar e comprovar o que realmente se passou a bem da transparência.”

O dirigente centrista termina a publicação afirmando que não se remeterá ao silêncio. Contactado pelo Observador, Fernando Camelo de Almeida diz que vai “aguardar” que Salvador Malheiro se pronuncie sobre o caso. Se não o fizer, o deputado municipal assegura que o irá “confrontar” através dos mecanismos que tem ao seu dispor, nomeadamente pedindo um esclarecimento público na próxima sessão da Assembleia Municipal ou fazendo um pedido por escrito.

Se realmente as viagens forem oferecidas pelo construtor, não é normal ele dizer que não tem conhecimento. Ninguém aceita viagens sem saber a proveniência. Sobretudo sendo detentor de um cargo público”, disse o deputado municipal. “Antes, o presidente disse que foi a Olivedesportos que o convidou e diz que não tem problema nenhum tendo em conta que a câmara municipal não tem qualquer negócio com a Olivedesportos. Agora, se for esse construtor, com quem a câmara tem negócios de mais de 4 milhões de euros cai por terra o que ele disse, quero saber a verdade”, acrescentou.

Notícia atualizada às 12h18 com as declarações de Fernando Camelo de Almeida ao Observador. Corrigida a referência ao dirigente do CDS, que é deputado municipal e não vereador, como se lia na primeira versão deste artigo.