O mote já tinha sido lançado há meses pelo deputado social-democrata Miguel Morgado, mas só agora é que o movimento nasce oficialmente. Chama-se “Movimento 5.7” e não quer ser um partido político, mas sim um “espaço de reunião e de discussão, que pretende refundar as bases intelectuais do espaço não-socialista”, como explica o deputado e fundador ao Observador. Ou seja, uma espécie de fórum agregador das várias sensibilidades da direita portuguesa, unidas pelo facto de “não serem socialistas”.

O movimento vai ser lançado formalmente no próximo dia 23 de março, no Espelho d’Água, em Belém, altura em que será dado a conhecer o Manifesto. Para já, há apenas uma página no Twitter e noutras redes sociais, como o Instagram, onde apenas foi publicado um teaser. No site, foi já divulgada a lista de fundadores do movimento, onde se encontram dirigentes e militantes dos vários partidos da direita — do PSD, do CDS, do Aliança ou da Iniciativa Liberal — e alguns independentes.

É o caso de nomes como os deputados do CDS Cecília Meireles, Ana Rita Bessa ou Vânia Dias da Silva, o ex-ministro do PSD Carlos Costa Neves, o escritor Francisco José Viegas, que chegou a ser secretário de Estado da Cultura no governo de Passos Coelho, ou Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal, que fará parte da direção. Também o historiador Rui Ramos, fundador do Observador, integra a direção do movimento, assim como Margarida Bentes Penedo, do CDS.

Segundo explica Miguel Morgado, o nome é uma alusão ao facto de a AD (Aliança Democrática) ter sido assinada no dia 5 de julho de 1979, assinalando-se este ano os 40 anos da data. “É por isso que, 40 anos depois, se avança com esta proposta para atualizar e reelaborar as nossas bases. Viemos para auxiliar os partidos, para fazer esse trabalho que é cívico e também cultural”, diz, sublinhando que o propósito não é vir a constituir-se como partido mas sim “ajudar a fortalecer os partidos já existentes”.

Ajudar em que sentido? No sentido de os “orientar para um entendimento em torno de uma federação não-socialista”. Ou seja, para protagonizar uma mudança vinda de dentro, para mudar o sistema, mas que não seja anti-sistema.

Questionado sobre se o movimento é uma semente para uma futura geringonça de direita, Miguel Morgado rejeita o nome “geringonça” por se referir a uma junção de peças com movimentos contraditórios. A ideia é que, neste movimento, todos remam para o mesmo lado. “Trata-se de um projeto político comum, com diferenças, claro, mas com bases políticas comuns. E sim, todos nos revemos na ideia de uma grande coligação de direita, mas geringonça é um péssimo nome”, afirma.