Parecia que estava escrito. Não que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi tenham um particular interesse em andar a imitar os feitos que o outro faz. Não que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi tenham um particular interesse em fomentar a million dollar question sem resposta sobre quem é o melhor entre eles – como Gary Lineker perguntou na sua conta oficial, tendo à hora de fecho deste texto mais de 300 mil respostas. Apenas e só porque, se esta é a altura das grandes decisões, torna-se normal que os maiores do futebol na atualidade (e na última década, com ou sem Bola de Ouro) apareçam. Aconteceu com Ronaldo na noite passada, ao marcar um hat-trick que fez a reviravolta da Juventus frente ao Atl. Madrid; aconteceu esta noite com Messi, ao fazer dois golos e duas assistências na goleada do Barcelona diante do Lyon por 5-1 depois do nulo em França.

25 remates não chegaram para fazer um golo e o Barcelona empatou a zeros em Lyon

Os números provam que há vida extraterrestre no futebol fora do planeta Ronaldo. No local do costume, pelo suspeito do costume. O argentino voltou a deixar marca na Liga milionária em mais uma exibição de sonho (sem nota 10 mas não muito longe desse marco) e atingiu mais uma série de registos impressionantes: além de ter carimbado a 11.ª temporada consecutiva a marcar 35 ou mais golos, o capitão do Barça passou a somar uma média superior a um golo em jogos da Champions no Camp Nou, com 62 golos em 61 encontros realizados. Na presente época, o registo também se tornou certo, com 36 golos noutras tantas partidas, além de 20 assistências. E sofreu uma lesão num braço que o retirou de alguns jogos…

Mais curioso ainda, e depois de um jogo em grande, o número 10 argentino aproveitou a passagem pela zona mista para elogiar a exibição da Juventus e de Cristiano Ronaldo, a propósito dos resultados nos oitavos da Champions. “Gostei de muitas coisas. O que Ronaldo e a Juventus fizeram ontem foi impressionante. Uma grande surpresa. A Juve atropelou o Atlético de Madrid. Esperava que tivessem dado mais luta. A Juve tem muito potencial e Cristiano teve uma noite mágica”, comentou.

Com Coutinho no lugar de Dembelé a fechar o habitual tridente ofensivo com Lionel Messi e Luis Suárez, o Barcelona não chegou a esperar sequer cinco minutos para ligar o rolo compressor e Anthony Lopes teve a primeira grande defesa da noite logo a abrir, após remate em arco do argentino à entrada da área. Os franceses tentavam defender-se como podiam, adiando ao máximo o aparecimento de golos em Camp Nou (porque chegar à frente não era propriamente a coisa mais fácil do mundo…), mas o 1-0 surgiria ainda antes dos 20 minutos, com Messi a marcar sem hipóteses uma grande penalidade “à Panenka” que deixou dúvidas, ficando a ideia de que foi Suárez a pisar o pé de Denayer na área e não o contrário (como seria assinalado).

Mais uma moedinha, mais uma voltinha neste carrossel de sentido único na Catalunha: já depois de um choque com aparato que o deixou por alguns momentos no relvado e levou a que se pensasse numa eventual substituição forçada, o internacional ainda conseguiu manter-se em campo e teve nova defesa vistosa pouco depois, com mais um voo a travar o remate de Suárez. Para esse momento Anthony Lopes ainda encontrou resposta, para a jogada dos blaugrana aos 31′ já era impossível: grande passe de Arthur a encontrar o uruguaio isolado no corredor central, assistência para Coutinho e toque do brasileiro para a baliza deserta que quase sentenciava de vez as aspirações dos gauleses face ao que se estava a passar em campo.

Pouco depois, Anthony Lopes teve mesmo de ser substituído por Mathieu Gorgelin, saindo em lágrimas entre aplausos até dos adeptos do Barça, reconhecendo o encontro inspirado que o luso-francês campeão europeu de seleções em 2016 fez até ao choque violento com Coutinho, que acabaria mesmo por tirá-lo do encontro. O 2-0 arrastou-se até ao intervalo, ilustrando bem o que se tinha passado no primeiro tempo, mas um golo de Tousart aos 58′ acabou por dar ainda alguma fé ao Lyon.

Apesar de todo o domínio, o Barcelona chegava ao último quarto de hora sabendo que, caso sofresse um golo, poderia ficar fora dos quartos da Champions. E foi aí, quando era mais preciso, que Messi voltou a aparecer e logo em dose tripla: primeiro teve uma jogada individual onde deixou dois adversários pelo relvado antes do remate certeiro para o 3-1 (78′); depois assistiu Piqué numa jogada de envolvimento que terminou com o 4-1 do central (81′); por fim, voltou a ver uma boa entrada de Dembelé pela esquerda e fez o passe de morte para o tiro do francês que fixou a goleada no 5-1 (86′).