Venezuela

Libertado jornalista que regime de Maduro acusa de ser o autor moral do apagão

Juan Carlos Díaz foi indiciado por incitamento ao crime, depois de ter sido detido e interrogado durante mais de 24 horas. Regime de Nicolás Maduro acredita que o jornalista é o autor moral do apagão.

Juan Carlos Díaz e os seus advogados estão impedidos de fazer declarações aos media sobre o caso

RONALDO SCHEMIDT/AFP/Getty Images

O jornalista e ativista venezuelano Juan Carlos Díaz, que tinha sido detido na segunda-feira pelos serviços de informação da Venezuela por alegadas ligações ao apagão que começou na sexta-feira, foi libertado na noite de terça-feira após 24 horas de cativeiro.

De acordo com a organização não governamental Espacio Público, que anunciou a sua libertação, Juan Carlos Díaz foi indiciado do crime de incitação ao crime (acreditando, desta forma, que o jornalista apelou a que fosse feito um corte da eleitricidade) e proibiu-o de sair do país ou de falar sobre o caso. Além disso, Juan Carlos Díaz terá de se apresentar às autoridades venezuelanas uma vez por semana.

De acordo com a jornalista Osmary Hernandez, da CNN Español, tal como Juan Carlos Díaz, também os seus advogados estão legalmente impedidos de se pronunciarem publicamente sobre o caso.

Esta medida levou a Espacio Público a denunciar “uma nova medida de censura” que “pretende evitar o que aconteceu durante a detenção arbitrária de Luis Carlos Díaz.

Juan Carlos Díaz é um conhecido jornalista venezuelano, especializado em temas de cibersegurança. Alguns meios e páginas no Twitter ligados ao chavismo têm divulgado um vídeo daquele jornalista, no programa “En Serio” que faz com a sua mulher, a jornalista Naky Soto, como se nele estivesse uma pista para a alegada autoria moral do apagão.

No vídeo original, publicado em fevereiro deste ano, Juan Carlos Díaz recorrer ao exemplo de alguns países durante a Primavera Árabe, referindo que os regimes fizeram um “blackout” informativo durante o pico da revolta, chegando inclusive a cortar a internet. Preconizando que esse seria também o cenário na Venezuela, Juan Carlos Díaz disse que seria necessário “sair para a rua para registar [tudo], há que gravar vídeos, tirar fotografias e ver o que se está a passar até que volte a luz, até que volte a possibilidade de nos conectarmos”.

Ora, no vídeo manipulado e divulgado pelos meios chavistas, a frase de Juan Carlos Díaz termina com a frase “até que volte a luz”, que fica, além de incompleta, descontextualizada. Nesses vídeos, a frase “até que a volte a luz” chega até a ser repetida várias vezes, em loop, numa evidente manobra de manipulação.

De acordo com o jornal venezuelano Efecto Cocuyo, desde janeiro já foram detidos pelo menos 39 jornalistas na Venezuela. Além disso, também já foram deportados 10 correspondentes estrangeiros.

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