Transplante

Mais de 1.960 doentes aguardavam transplante renal no final do ano passado

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Segundo o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, no primeiro semestre do ano passado foram realizados 235 transplantes renais, menos do que em igual período do ano anterior (262).

O Serviço de Nefrologia do CHUC registou no ano passado um total de 14.447 sessões de hemodiálise e hemodiafiltração, em 1.926 doentes tratados

BALAZS MOHAI/EPA

Mais de 1.960 doentes aguardavam no final do ano passado por um transplante renal, segundo dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) divulgados na véspera do Dia Mundial do Rim, que se assinala quinta-feira.

De acordo com os dados a que a agência Lusa teve acesso, no primeiro semestre do ano passado foram realizados 235 transplantes renais, menos do que em igual período do ano anterior (262).

Numa resposta enviada à Lusa, o IPST considera que as presentes taxas de utilização de órgãos e o aumento da idade média dos dadores podem explicar a diminuição do número de transplantes, pela menor quantidade de órgãos disponíveis.

Os dados do IPST indicam ainda que os números do primeiro semestre de 2017 são inferiores aos de 2016 (277 transplantes renais) e que nos primeiros seis meses de 2015 foram realizados 241 transplantes renais, mais dois do que em igual período do ano anterior.

Na quinta-feira, a Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) e a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) vão apresentar, no Centro Cultural de Belém (Lisboa), o maior prémio de investigação na área da nefrologia em Portugal, no valor de 10 mil euros.

O galardão, segundo o presidente da ANADIAL, pretende “incentivar a realização de trabalhos científicos que permitam estudar e diminuir a elevada incidência de doentes com insuficiência renal crónica em Portugal, sobretudo nos estádios mais avançados, e, por outro lado, colmatar a ausência de investigações clínicas e estudos epidemiológicos nesta área”.

O prémio “ANADIAL-SPN”, de atribuição anual, visa promover a realização de estudos clínicos e avaliações epidemiológicas na área da Investigação em Insuficiência Renal Crónica, com particular relevância para a identificação de fatores de risco e intervenções preventivas da evolução da doença renal crónica.

A insuficiência renal crónica é uma doença provocada pela diminuição progressiva da função dos rins e Portugal tem uma das mais elevadas incidências de doença renal crónica terminal com indicação para iniciar diálise, sem que exista uma explicação de caráter epidemiológico plausível”, refere a ANADIAL em comunicado.

Também no âmbito do Dia Mundial do Rim, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) vai promover na quinta-feira um encontro, no Centro de Congressos do polo HUC-CHUC, em que junta os serviços de nefrologia da Região Centro e os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) dos Cuidados de Saúde Primários.

De acordo com o CHUC, em Portugal o predomínio de doentes sob tratamento substitutivo da função renal tem vindo a aumentar anualmente e a incidência de doentes em diálise continua a ser das mais elevadas da Europa.

O Serviço de Nefrologia do CHUC registou no ano passado um total de 14.447 sessões de hemodiálise e hemodiafiltração, em 1.926 doentes tratados. Foram ainda tratados 128 doentes em diálise peritoneal, 43 dos quais oriundos de outras unidades de diálise peritoneal. O número de transplantes renais no CHUC no ano passado foi de 109.

A nível mundial, estima-se que 850 milhões de pessoas apresentem doenças renais de várias causas.

Tanto a doença renal crónica como a lesão renal aguda concorrem para o aumento considerável da morbilidade e mortalidade e aparecem maioritariamente nos grupos de maior risco – doentes com diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, obesidade, doenças autoimunes ou com história familiar de doenças renais.

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