Floresta

Donos ou gerem terrenos ou têm de os vender, defende Tiago Oliveira

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Presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais defende uma "mudança da paisagem" e os proprietários têm de ser "parte da solução". Se não quiserem, devem vender as suas propriedades.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Já se fala de incêndios durante o inverno, não apenas nos dias mais quentes do verão, o que significa que se retomou um trabalho de prevenção que tinha sido abandonado nos últimos anos, defende Tiago Oliveira, presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais (Agif), o organismo que o Governo criou para fazer a reforma do combate aos incêndios após os fogos de 2017. Esse é, na ótica do responsável, o primeiro sinal de que algo mudou, mas é necessário fazer mais e forçar uma “mudança de paisagem” e envolver os proprietários — que, se não participarem no esforço coletivo, serão pressionados pela própria sociedade a vender os terrenos.

“Nos grandes incêndios estarmos mais articulados e já há um esforço muito grande para as instituições estarem mais articuladas. As populações vão estar mais preparadas, há uma campanha que convoca todos. Há um envolvimento grande dos municípios”, salienta Tiago Oliveira, em entrevista à Renascença e ao Público. Porém, “isto só se consegue alterar quando a paisagem se modificar, quando os proprietários, em vez de serem considerados um problema, forem parte da solução, estando associados, estando com capacidade de fazer a gestão florestal, que é aquilo que falta”.

Tiago Oliveira aproveitou a entrevista para enviar uma mensagem aos donos dos terrenos, uma parte essencial do problema: “um proprietário ou é capaz de gerir o seu ativo sozinho ou agregadamente ou ele vai sentir a pressão para vender porque o vizinho pode dizer que está a ser prejudicado pela sua inação”. Nesta perspetiva, o problema dos incêndios em Portugal só será mitigado “com muito diálogo, com o reconhecimento dos direitos e as obrigações dos proprietários… Não podemos estar sempre a pagar a inação”, sublinhou o responsável.

O Estado não pode ficar no final a pagar os prejuízos que a não-gestão do património gera. Os proprietários não são o problema, têm que ser parte da solução. Agora, cada um por si não vai dar certo.

O responsável terminou sem esclarecer se a sua equipa irá recandidatar-se ao lugar. “O concurso já está a correr. Temos de ver as condições para vermos se nos candidatamos”, afirmou.

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