Desaparecimentos

“Manipulador” e um “falhanço moral”. As críticas dos britânicos ao documentário de Madeleine McCann

279

Consideram que é "puramente uma repetição de tudo" e que os episódios estão preenchidos "por comentários estranhos" de moradoras da Praia da Luz e de jornalistas. O que dizem os críticos britânicos?

Madeleine McCann desapareceu na Praia da Luz, no Algarve, há quase 12 anos

FRANCISCO LEONG/AFP/Getty Images

Foi “um simples recontar da história”. É assim que Lucy Mangan, crítica de televisão do jornal The Guardian, descreve o documentário “O Desaparecimento de Madeleine McCann”, que estreou esta sexta-feira na Netflix. A crítica considera-o “tão moralmente e criativamente falhado” que, acredita, os espetadores teriam uma “melhor perceção” sobre o caso da criança desaparecida no Algarve em 2007 se se “sentassem sozinhos numa sala escura por 10 minutos para tentar [sentir] a angústia dos pais”

“Foi puramente uma repetição de tudo o que, para quem estava vivo na altura ou tem idade para perceber os apelos periódicos — em aniversários do desaparecimento, datas de nascimento e outras datas dolorosas — dos McCann, já se sabia”, escreve Lucy Mangan, que atribuiu uma estrela (de zero a cinco) ao documentário, garantindo:

Não foi o desinteresse de um caso esquecido, não foi a reanálise de um erro da justiça suspeito. Não revelou novos factos, nenhuma nova visão. Nem sequer tinha um ponto de vista”, escreveu no The Guardian.

A crítica — na análise intitulada: “Um falhanço moral” — lamenta que o primeiro episódio da série seja ocupado com “o desaparecimento, o pânico, o horror inicial e a demora da resposta da polícia”. No fundo, escreve, resume-se à descrição de “todos os becos sem saída, todas as partes de uma história que ainda não tem fim recapitulados de forma inútil”. Mais: Lucy Mangan critica o facto de os episódios serem preenchidos “por comentários estranhos”, como “a história do Algarve como um destino de férias, os relatos de jornalistas e de como eles correram para o local e, em seguida, os seus relatos de como esperaram e não receberam qualquer notícia”.

[Veja o trailer do documentário “O Desaparecimento de Madeleine McCann”]

O facto de não ter sido havido uma “ronda de entrevistas publicitárias antes da estreia” era, para Lucy Mangan, um presságio: “Nunca é um sinal de grande confiança no produto”. Isso e o facto de a estreia ter sido adiada várias vezes. “Valeu a pena a espera? Confundiu os rumores e os céticos? Não e não”, escreveu.

Esta opinião não é única e é partilhada, aliás, por outros críticos britânicos. David James Smith, por exemplo, defende, na sua crítica para o The Sunday Times, que “ainda não sabemos o que o que aconteceu a Madeleine” e o documentário — que procura provar a teoria de que a criança desaparecida no Algarve há quase 12 anos está viva depois de ter sido raptada por um grupo ligado ao tráfico de pessoas — também “não parece pôr-nos mais perto de uma resposta”.

Já Ed Power, na crítica que escreve para o The Telegraph, considera que o documentário é “manipulador” e “não nos diz nada de novo”. O crítico conclui e lamenta que “O Desaparecimento de Madeleine McCann” tenha vindo “simplesmente confirmar que o género de casos de crime reais se tornou um prisioneiro das tendências mais crassas”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cbranco@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)