YouTube

PewDiePie é o primeiro YouTuber de sempre com mais de 90 milhões de subscritores

165

PewDiePie é o YouTuber com mais subscritores no YouTube desde 2013. Tornou-se esta terça-feira no primeiro criador de sempre a ter 90 milhões de fãs. Mas um canal de Bollywood pode ultrapassá-lo.

Felix Arvid Ulf Kjellberg, conhecido online como PewDiePie, criou o seu canal de Youtube em 2010

John Lamparski/Getty Images

Cada subscritor de Felix “PewDiePie” Kjellberg é um novo recorde: quando se tem o maior canal de YouTube do mundo, sempre que se ganha um fã sobe-se a fasquia. Mas a marca desta terça-feira não resulta de uma evolução previsível: PewDiePie chegou aos 90 milhões de subscritores, mas 24 milhões apareceram desde outubro de 2018, mês em que começou publicamente a batalha entre PewDiePie e o canal de Bollywood T-Series para conquistar o topo do ranking do canal de YouTube com mais seguidores do mundo.

A batalha entre PewDiePie e a T-Series teve contornos mais dramáticos, depois de o atirador do massacre da Nova Zelândia, que matou 50 pessoas em duas mesquitas, ter pedido no vídeo em direto que publicou no Facebook Live aquando do ataque, para subscreverem o canal do YouTuber. Esta terça-feira, PewDiePie distanciou-se de qualquer ligação ao supremacista branco australiano: “Sinto-me absolutamente doente por o meu nome ser dito por esta pessoa“. O que atirador fez foi repetir uma piada que tem sido partilhada online pelos seguidores de PewDiePie. “Subscrevam o PewDiePie” é uma campanha virtual criada pelos fãs do criador sueco para impedir que este seja ultrapassado pela T-Series.

PewDiePie tornou-se no YouTuber com mais seguidores do mundo em 2013, depois de ultrapassar o duo de comédia Smosh com, na altura, quase 12 milhões de subscritores. Três anos antes, Felix Kjellberg tinha criado um canal dedicado a videojogos. Durante os seis anos em que dominou o YouTube (mais de um terço da existência da plataforma), criou conteúdos como paródias noticiosas, desafios online e análises de memes. Sobreviveu a várias controvérsia relacionadas com o conteúdo dos seus vídeos, tendo sido obrigado a pedir desculpa por algumas afirmações racistas. PewDiePie foi odiado e amado, aproveitou tendências virais, soube seguir as tendências do algoritmo de recomendações automáticas do YouTube e criou um canal avaliado em quase 20 milhões de euros.

A T-Series é um agregador de vídeos de Bollywood — termo que designa a indústria de cinema indiano. Nasceu de uma reconhecida produtora cinematográfica e editora musical indiana. A empresal começou a colocar trailers e videoclips no YouTube em 2010, mas só em 2017 é que começou a ganhar destaque na plataforma. Num ano, o canal duplicou o número de subscritores (de 15 para 30 milhões) e em outubro de 2018 o número de fãs era superior a 65 milhões, começando a ameaçar Felix Kjellberg. No mesmo espaço de tempo, PewDiePie tinha passado de 50 para 66 milhões de subscritores.

Nesta terça-feira a T-Series chegou a ter mais subscritores do que PewDiePie (não foi a primeira vez) durante cerca de 20 minutos. Mas este momento foi apenas um dos vários que têm surgido nos últimos meses. A batalha entre o YouTuber e o canal de Bollywood já deu origem a anúncios de rádio, angariações de fundos e campanhas online. Tudo para evitar que PewDiePie fosse ultrapassado pelo T-Series.

Subscribe to PewDiePie: A campanha viral para manter a liderança

Quando a distância entre os dois canais começou a encurtar, PewDiePie chamou a atenção para a rivalidade num dos vídeos: acusou a T-Series de ser um esforço empresarial, porque tinha pelo menos 13 pessoas a trabalhar para o canal de YouTube. Era o início do movimento #SubscribeToPewDiePie.

O movimento tornou a promoção do canal de Felix Kjellberg viral. Criadores como Jacksepticeye (21 milhões de subscritores), Markiplier (23 milhões de subscritores) ou Logan Paul (18 milhões de subscritores) publicaram vídeos em que pediam aos fãs que subscrevessem o canal de PewDiePie. O YouTuber Justin Roberts chegou a comprar um cartaz em Times Square, em Nova Iorque, para promover o canal de Felix Kjellberg.

Depois, houve anúncios de rádio, cartazes durante programas televisivos — incluindo no intervalo da Super Bowl — e até campanhas organizadas de ataques eletrónicos. Vários hackers entraram nos sistema de impressoras de grandes escritórios para imprimir mensagens de apoio a PewDiePie (e notas para que as empresas melhorassem os sistemas de segurança). A torrente de apoio nas redes sociais chegou até a partidos políticos.

A campanha resultou em mais 24 milhões de subscritores para o canal de PewDiePie, ou seja, ganhou fãs 700% mais rápido do que o normal. A derrota chegou a estar prevista para novembro, pelas contas do BusinessInsider e foram criados livestreams que mostrassem em contínuo a diferença de subscritores entre os dois canais. Sempre que o número diminuía, PewDiePie respondia com uma nova chamada de atenção.

Quando, a 3 de fevereiro, a T-Series esteve a 30 mil subscritores do primeiro lugar, bastou um stream a jogar o ultra-popular “Fortnite” para alargar a diferença para 150 mil seguidores. Felix Kjellberg tentou repetir o truque jogando em direto sempre que os números se aproximavam. Um dos últimos momentos da campanha foi uma colaboração com o ator Will Smith e o popular e polémico presidente da Tesla e da Space-X, Elon Musk.

Mas a T-Series manteve um crescimento inigualável — cerca de 150 mil novos seguidores por dia — muito graças, dizem os analistas, ao crescente acesso à Internet na Índia, o segundo país mais populoso do mundo (tem mil e trezentos milhões de habitantes, atrás apenas da China, com mil e quatrocentos milhões de pessoas). A 22 de fevereiro, PewDiePie foi ultrapassado pela primeira vez (após uma purga do YouTube a contas falsas e desativadas que lhe retirou 200 mil subscritores), mas o sueco recuperou a liderança em menos de 8 minutos. Com a batalha a arrastar-se, a T-Series passou ao ataque: O presidente da empresa, Bhushan Kumar, pediu diretamente aos indianos que apoiassem “este momento histórico”. Felix Kjellberg considerou o vídeo um “pedido desperado”.

A 18 de março, a T-Series chegou duas vezes à liderança. De cada vez que ultrapassa PewDiePie aguenta o título por um pouco mais tempo. Mas, por agora, Bollywood ainda não pôs fim ao reinado de mais de 2 mil dias de Felix “PewDiePie” Kjellberg como o YouTuber com mais subscritores de sempre. A mudança, quando, provavelmente acontecer, nas palavras de Felix Kjellberg, pode indicar um fim precoce para a plataforma: “Se o YouTube mudar para se tornar mais empresarial, pode surgir outro serviço para o substituir”. O apoio do YouTube às grandes empresas, para Felix Kjellberg, “pode ser uma grande estratégia de negócio mas não é autêntico”. Continua: “Muitas das decisões tomadas [pelos responsáveis do YouTube] não tiveram ligação à comunidade” portanto, diz, “ninguém respeita o site”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: nviegas@observador.pt
Inovação

Web Summit e provincianismo

Fernando Pinto Santos

Porque é a investigação académica tão desconsiderada em Portugal? Talvez porque moldes ou toalhas não sejam tão glamorosos como uma app com um nome estrangeiro numa conferência com o nome de Summit.

Eleições Europeias

Não há eleições europeias /premium

João Marques de Almeida

O parlamento europeu serve sobretudo para reforçar o poder dos grandes países, cujos partidos dominam os grupos políticos e, principalmente, as comissões parlamentares se fazem as emendas legislativas

Política

O caso Berardo e o regresso a Auschwitz

Luís Filipe Torgal

A psicologia de massas, manipulada pelos novos cénicos «chefes providenciais», vai transfigurando a história em mito, crendo num «admirável mundo novo», depreciando a democracia, diabolizando a Europa

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)