Adolfo Mesquita Nunes, na última participação no espaço de debate da SIC Notícias “Esquerda/Direita”, do qual fez parte durante quatro anos, justificou ter aceitado o convite para administrador não executivo da Galp e a demissão de vice-presidente do CDS/PP. “Tem a ver com o meu projeto de vida, tem a ver com a minha felicidade”, afirmou.

A decisão que tomei de não depender profissionalmente da política na minha profissão é uma escolha minha, é uma escolha muito pessoal”, disse Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do CDS/PP.

“Tem de haver espaço nos partidos para quem tem vida profissional”, defendeu-se Mesquita Nunes, que prometeu levar até ao fim o cargo de vereador na Câmara Municipal da Covilhã. O político centrista disse também, sobre a sua decisão: “Tem a ver com o tempo que eu quero dispor para estar com as pessoas que eu quero”.

O antigo vice-presidente do CDS/PP sublinhiu que dos 25 anos em que esteve na política, “apenas 6 foram passados na política profissional”.

A minha atividade foi sempre o Direito. Foi aí que que tirei o curso, mestrado, publico artigos, trabalho. É a minha profissão. Aliás, é ela que me sustenta”, continuou.

“Durante vários anos foi possível conciliar as duas, a política e a minha vida profissional”, afirmou também. O político, afirma que vai continuar no partido: “Claro que eu sou do CDS. É aquele partido em que estou sempre envolvido. É um partido que eu quero que cresça e possa ganhar eleições”, afirmou.

Sobre a razão de ter aceitado o convite da Galp, disse que é uma “área de atividade — a energia — que enfrenta desafios altamente disruptivos”. Segundo Mesquita Nunes foi “um convite muito motivador”. O nome de Adolfo Mesquita Nunes apareceu na semana passada na proposta de nomes para o conselho de administração da Galp proposta pelo acionista de referência da petrolífera, a Amorim Energia.

Mesquita Nunes será administrador não executivo, cargo que de acordo com o relatório de governo de sociedade de 2018, pode valer uma remuneração bruta anual de 42 mil euros (três mil euros brutos mensais por 14 meses), sem direito a prémios. Há administradores independentes que ganham mais, cerca de 84 mil euros, mas têm a responsabilidade de acompanhar mercados importantes para a Galp como o Brasil e Moçambique.

Sobre o trabalho que vai desempenhar, Mesquita Nunes destaca que vai “com uma enorme vontade de olhar para aquilo que é a disrupção que é a nova economia e que os fenómenos climáticos estão a ter nesta área“. A Galp é uma das empresas mais expostas aos desafios da descarbonização já que quase toda a sua atividade depende de combustíveis fósseis, petróleo e gás natural.

Quanto à inexperiência que tem para o cargo que vai desempenhar, Mesquita Nunes lembrou o momento em que foi secretário de estado do Turismo: “levei muitos meses a ouvir que eu era um boy“.

Acho que essas críticas são absolutamente legítimas. Acho que um empresário que começa um negócio novo também não tem experiência nesse negócio. Também não tinha experiência na área do turismo. Também quando começo um caso no escritório que nunca estudei antes nunca tenho experiência nesse caso”, disse Mesquita Nunes sobre a inexperiência no caso.

Assumindo que recebeu muitas mensagens de desapontamento, o antigo advogado da Morais Leitão, que atualmente está na equipa da Gama Glória, deixou um desafio a quem as fez: que se exponham ao “escrutínio e militância” que é preciso enfrentar ao dedicar parte da vida à política. O jurista lembrou também o exemplo de críticas a Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro social democrata que foi vencedor das eleições legislativas em 2016, quando “foi dar aulas para uma universidade pública após sair do partido”.

Mariana Mortágua, que partilhou bastante este espaço de debate com Adolfo Mesquita Nunes, afirmou quanto ao caso: “não me cabe a mim comentar as escolhas do Adolfo, muito menos na SIC”.